Vitória do Não abre crise em Itália e abala zona euro

A demissão de Renzi lança a terceira maior economia da zona euro num turbilhão político e levanta dúvidas quanto ao futuro da própria zona euro, dado que a queda do governo italiano poderá ter um impacto muito negativo no frágil sistema bancário do país.

Giampiero Sposito/Reuters

O primeiro-ministro italiano anunciou a intenção de se demitir, após a derrota esmagadora no referendo que ontem teve lugar. Depois de serem conhecidos os primeiros resultados dando a vitória ao ‘Não’, Matteo Renzi assumiu a derrota e demitiu-se, dizendo que o seu “Governo termina”. Caberá agora ao presidente italiano decidir se existem condições para nomear um novo governo com apoio parlamentar ou se o país avança para eleições antecipadas.

“Assumo total responsabilidade pela derrota”, disse o primeiro-ministro italiano numa intervenção televisiva, após as primeiras projeções apontarem para uma vitória do ‘Não’, com 60% dos votos, no referendo que Renzi convocou para fazer alterações ao complexo sistema de governo de Itália. O primeiro-ministro pretendia reduzir o poder do Senado, a câmara alta do parlamento italiano, bem como dos governos regionais, de modo a simplificar o processo legislativo e permitir que o Executivo de Roma avançasse com reformas económicas.

A demissão de Renzi lança a terceira maior economia da zona euro num turbilhão político e levanta dúvidas quanto ao futuro da própria zona euro, dado que a queda do governo italiano poderá ter um impacto muito negativo no frágil sistema bancário do país. A saída de cena de Renzi, um moderado de centro-esquerda, abre o caminho aos partidos que defendem a saída de Itália do euro, como o Movimento 5 Estrelas, que fez campanha pelo ‘Não’ no referendo de ontem.

Não por acaso, após o anúncio da vitória do ‘Não’, o euro atingiu um mínimo de 20 meses face ao dólar, com os investidores a recearem que a instabilidade na terceira maior economia da zona euro possa causar uma crise no sistema bancário italiano e até uma eventual saída da moeda única, que teria consequências demolidoras para o projeto europeu. Segundo a Reuters, as últimas sondagens revelam que o 5 Estrelas, que defende um referendo sobre a permanência de Itália no euro, tem quase tantas intenções de voto como o Partido Democrático, de Matteo Renzi.

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