Vladimir Putin quer resultados concretos nas negociações com os Estados Unidos

Numa entrevista coletiva a que se dispõe todos os finais de ano, o presidente da Rússia disse que o país “foi enganada pelo Ocidente”, que lhe prometeu que a NATO não se aproximaria das suas fronteiras. Aceita negociações com os Estados Unidos, mas pragmáticas.

O presidente russo Vladimir Putin deu a sua entrevista anual a alguns órgãos de comunicação social, durante a qual disse acolher com agrado as negociações marcadas para o início do ano (na Suíça) com os Estados Unidos – que tocarão os temas de maior tensão do momento – mas advertiu que Moscovo espera que a roda de conversas produzam resultados rápidos.

Putin abordou todas as questões que impactam o atual contexto mundial, nomeadamente a pandemia, a economia russa, e o líder da oposição Alexey Navalny, que se encontra preso. E também, como não podia deixar de ser, as exigências de segurança que remeteu na semana passada para os Estados Unidos e para a NATO – e não para a União Europeia.

Segundo as agências internacionais, Putin disse que Moscovo não quer iniciar qualquer guerra com a vizinha Ucrânia, mas alertou que é impossível manter boas relações com o atual governo ucraniano – tendo acusado o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, de ser influenciado por “forças nacionalistas radicais”.

“Esta não é nossa escolha, não o queremos”, disse, para afirmar que foi o governo ucraniano que rompeu com os seus compromissos relativos a um acordo comum de 2015, que pretendia interromper os combates no Donbass e debater o separatismo que ali impera. Para o Kremlin, o futuro da região deve ser determinado pelas pessoas que aí vivem, acrescentando que Moscovo se vê como um “mediador” do conflito.

Do seu lado, recorde-se, Zelenskyy disse esta semana que está pronto para conversar com a Rússia “sob qualquer formato” e que o Kremlin rejeitou até agora essa possibilidade.

Putin disse que advertiu os Estados Unidos que “qualquer expansão da NATO para o leste é inaceitável” e acusou Washington de colocar armamentos inaceitavelmente perto das fronteiras da Rússia – nomeadamente no Mar Negro, o que é indesmentível.

“Somos nós que colocamos mísseis perto das fronteiras dos Estados Unidos?”, argumentou. “Não, são os Estados Unidos que vieram até à nossa casa com os seus mísseis. Estão no limiar de nossa casa. É alguma exigência excessiva impedir a colocação de quaisquer sistemas ofensivos perto de nossa casa?”

O líder russo disse que o Ocidente “enganou” Moscovo ao oferecer promessas verbais na década de 1990 de não expandir a presença da NATO no leste – para depois incorporar na aliança os países do antigo bloco soviético aa Europa Central e Oriental e as antigas repúblicas soviéticas do Báltico. Será de recordar que Mikhail Gorbatchov afirmou sempre, na altura em que a União Soviética implodiu, em 1991, que a Rússia não aceitaria a presença da NATO às suas portas.

Na altura, como recordou Putin, os estadistas ocidentais aceitaram. “Nem um centímetro para o Leste’ disseram-nos nos anos 90. Enganaram-nos descaradamente”, disse, para nomear “cinco ondas de expansão da NATO e agora os sistemas de ataque estão a aparecer na Roménia e na Polónia”.

Quanto a Alexey Navalny, Putin disse desconhecer qualquer evidência de prova do seu suposto envenenamento. “Enviámos vários inquéritos oficiais do do promotor russo pedindo quaisquer documentos que comprovem o envenenamento. Não existe um único”. Putin acrescentou que disse pessoalmente ao presidente francês Emmanuel Macron e à então chanceler Angela Merkel para envolver especialistas russos na investigação do incidente, mas os seus telefonemas não foram bem-vindos.

Navalny foi detido em 17 de janeiro deste ano quando voltou da Alemanha para a Rússia, onde passou cinco meses se recuperando do envenenamento que atribuiu ao Kremlin, e posteriormente preso por um alegado caso de fraude, pretexto que afirma ser meramente político.

Quanto à economia, o presidente russo afirmou que neste momento a prioridade é conter a inflação até ao teto dos 4% – estando neste momento nos 8% (no final de novembro). Para conter os preços galopantes, o Kremlin introduziu tetos de preços e cotas de exportação, enquanto o banco central aumentou repetidamente as taxas de juros.

“Conheço a insatisfação do setor [privado] com o aumento das taxas, mas se isso não for feito, podemos ter o mesmo problema que a Turquia. Este é um problema sério e um desafio sério”, disse. E acrescentou que o país deve atingir um crescimento de 4,5% em 2021.

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