Volatilidade leva Wall Street a encerrar ‘flat’. Petróleo derrapa para mínimos de 2018

Os investidores esperam pelo desfecho da reunião da Reserva Federal norte-americana, que deverá subir as taxas de juro para 2,5%. Trump discorda. Nas matérias-primas, o preço do petróleo desvalorizou pelo terceiro dia consecutivo e já perdeu 40% face aos máximos de outubro.

Reuters

A volatilidade marcou a segunda sessão da bolsa de Nova Iorque, que encerrou flat, depois de abrir com ligeiros ganhos. Ao longo da sessão, os índices chegaram a valorizar 1%, mas o S&P 500 fechou com 2.546,03 pontos (0,01%), o industrial Dow Jones subiu 0,35% para 23.675,5 pontos e o tecnológico Nasdaq ganhou 0,45%, para 6.783,91 pontos.

O mercado está a reagir à reunião da Reserva Federal norte-americana (Fed), com os investidores a anteciparem um anúncio da subida das taxas de juro. David Silva, broker da XTB, revela que “os investidores receiam que a combinação de um dólar forte e maiores subidas de taxa de juro levem a um abrandamento da economia em 2019 precisamente na altura em que o impacto do corte de impostos começara a desvanecer”.

A confirmar-se, será a quarta vez este ano que a Fed sobe as taxas de juro. Espera-se uma subida de 2,25% para 2,5%.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a “atacar” a Fed, esta terça-feira, recomendando ao banco central norte-americano que não volte a “cometer outro erro” e que leia o “The Wall Street Journal”, que argumentou que a subida das taxas de juro prevista não é conveniente.

Nas matérias-primas, o preço do petróleo caiu pelo terceiro dia consecutivo para novos mínimos do ano, O West Texas Intermediate, referência para o mercado norte-americano, tombou 7,18% para 46,30 dólares. Desde outubro, mês em que o petróleo atingiu o último máximo, o “ouro negro” já desvalorizou cerca de 40%.

Esta queda acentuada deve-se à produção recorde dos EUA, que se tornaram no maior produtor de petróleo mundial, numa altura em que a economia mundial está em arrefecimento, incluindo a China, cujo presidente, Xi Jiping, discursou esta terça-feira (madrugada em Portugal), com palavras pouco animadoras para o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, e aumentando a incerteza em torno do desfecho das negociações comerciais entre os dois países.

As petrolíferas Exxon Mobil e a Chevron caíram 2,6% e 2,5%, respetivamente. Em Londres, o Brent caiu 5,49%, para 56,34 dólares. Segundo os analistas da Agência Reuters, o preço do barril poderá cifrar-se nos 40 dólares, até ao final do ano.

 

 

Relacionadas

OPEP critica recusa dos Estados Unidos em permitir aumento do petróleo

“Lançamos um diálogo energético com os Estados Unidos e temo-nos encontrado com diversas empresas do setor norte-americano. Acreditamos que as decisões que tomamos são, não só boas para a OPEP, como também para os produtores e ainda para os países consumidores”, sublinhou.
Recomendadas

Wall Street abre a terceira sessão da semana com perdas ligeiras

A Lyft, concorrente da Uber, é um dos títulos em destaque, depois de anunciar que congelou todas as contratações nos Estados Unidos até ao final do ano, no âmbito de um corte de custos para controlar o impacto da inflação. As ações da plataforma de transporte reagem pela positiva.

CMVM lança o Via Mercado em Aveiro

“Esta é uma iniciativa que procura promover o acesso das empresas ao mercado de capitais“, diz a CMVM.

Banco de Inglaterra compra dívida a longo prazo para travar turbulência

O Banco de Inglaterra anunciou hoje que vai intervir no mercado de dívida, comprando obrigações do Estado para “restabelecer as condições normais de mercado”, numa altura em que os juros britânicos disparam.
Comentários