Von der Leyen e Scholz antecipam cooperação Bruxelas-Berlim “muito forte e estreita”

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o novo chanceler alemão, Olaf Scholz, manifestaram-se esta sexta-feira convictos, em Bruxelas, de que a cooperação entre o executivo comunitário e o recém-empossado governo alemão será “muito forte e estreita”.

Numa conferência de imprensa na sede da Comissão – a primeira instituição visitada por Scholz na deslocação que realiza hoje a Bruxelas, depois de já ter estado de manhã em Paris -, os dois dirigentes alemães assumiram o papel de liderança que a Alemanha deve assumir no projeto europeu e salientaram o forte cunho pró-europeu do novo governo de coligação, formado por três partidos, o SPD (Socialistas), os Verdes e os Liberais do FDP.

“A Alemanha sempre foi e é importante em termos dos desenvolvimentos históricos da União Europeia. Os chanceleres alemães sempre desempenharam um papel muito importante no projeto de construção europeu, e penso que é um sinal muito encorajador [Olaf Scholz] ter decidido visitar a Comissão Europeia tão cedo” após tomar posse, na passada quarta-feira.

Segundo Von der Leyen, a presença, hoje, do novo chanceler alemão em Bruxelas “mostra o quão importante a UE é para o novo governo alemão”, algo que considera estar também bem evidenciado no programa da coligação, que “tem um capítulo muito robusto dedicado às políticas da UE”.

“A Comissão Europeia está aberta a uma cooperação muito forte e estreita com o novo governo” de coligação, composto por “três partidos fortemente pró-europeus”, declarou a antiga ministra da Defesa alemã, lembrando que já conhece há muitos anos Olaf Sholz, o que facilitará ainda mais a cooperação entre Bruxelas e Berlim.

O novo chanceler assumiu a importância da Alemanha no contexto europeu e comentou que “a política alemã não pode ficar à margem, a observar, tem de assumir um papel de responsabilidade” no projeto europeu.

Também Scholz salientou que a coligação governamental que agora lidera “tem uma agenda pró-europeia” e observou que “boa parte da oposição” no Bundestag (parlamento europeu) também o é, pelo que a União Europeia pode contar com a Alemanha para enfrentar os grandes desafios, e também aqui ambos os dirigentes destacaram os mesmos: combate à pandemia da covid-19, a transição ecológica e digital, e a política externa.

Após o encontro com Von der Leyen, Scholz atravessou a rua para se reunir, na sede do Conselho, com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que também agradeceu ao chanceler a sua deslocação a Bruxelas imediatamente após assumir o poder, considerando que “a sua visita hoje envia um sinal muito forte”.

“Quero manifestar-lhe a minha gratidão pelo seu forte compromisso europeu”, afirmou o presidente do Conselho Europeu dirigindo-se ao chanceler, recordando que já muito em breve vão trabalhar em conjunto pela primeira vez, dado que Olaf Scholz tem a sua ‘estreia’ em cimeiras de chefes de Estado e de Governo da UE marcada já para a próxima semana, por ocasião da cimeiras da Parceria Oriental, na quarta-feira, e do Conselho Europeu, de quinta-feira.

Questionado sobre se o facto de a Alemanha ter agora um chanceler socialista representará uma mudança política no seio do Conselho, Scholz disse que a partir de agora fala como “chanceler da Alemanha, não enquanto político social-democrata”.

“E penso que é dessa forma que devemos trabalhar na Europa: devemos esquecer onde estamos no espetro político e concentrarmo-nos em desenvolver um futuro comum na Europa”, declarou.

O novo chanceler tem ainda previsto para hoje um encontro com Jens Stoltenberg, o secretário-geral da NATO, organização também com sede na capital belga.

O social-democrata Olaf Scholz foi eleito na quarta-feira chanceler federal pelo Bundestag, onde o partido que lidera e os aliados na coligação governamental, Verdes e Liberais, têm maioria.

Scholz, que assume a nona chancelaria desde o final da II Guerra Mundial, sucede no cargo à conservadora Angela Merkel, que após 16 anos no executivo germânico passou o poder àquele que foi o vice-chanceler e ministro das Finanças na sua última grande coligação.

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