Voos de Portugal para Amesterdão em risco

Medida defendida pelo Governo holandês pode afetar diretamente três aeroportos nacionais – Porto, Faro e Funchal – e três companhias aéreas – Transavia, KLM e Vueling Airlines – e ter impactos negativos nas viagens familiares, de trabalho ou turísticas.

Os voos de aeroportos nacionais como o Porto, Faro e Funchal para o aeroporto de Schipol, em Amesterdão, estão em risco nos próximos anos.

No final da semana passada, terminou o período de consulta pública sobre uma proposta legislativa do governo holandês para desviar do principal aeroporto do País, Schiphol, os voos de cidades consideradas destinos turísticos,  principalmente do Sul da Europa.

A alternativa pretendida pelo governo holandês é o aeroporto de Lelystad, que vai abrir o tráfego aos voos ‘charter’ no espaço de dois anos, situado a cerca de 67 quilómetros do atual aeroporto e da capital Amesterdão, com um tempo de viagem por automóvel ou autocarro que varia entre 50 e um hora e dez minutos e que nem sequer é servido por comboio.

Segundo diversos ‘media’ holandeses, esta medida vai afetar voos para 89 destinos.

“Deverão ser proibidos às companhias aéreas os voos que comecem de Aeroporto de Schiphol Amesterdão para destinos classificados pela regulação ministerial como destinos de lazer”, explicitam os documentos que integravam o processo de consulta desta medida legislativa, de acordo com o ‘Dutch News’.

“Os critérios para a classificação de destinos de lazer [turísticos] será determinada por regulação ministerial”, avançam os mesmo documentos.

De acordo com os referidos ‘media’ holandeses, esta proibição de voos em Schiphol só se aplica a destinos que não sejam capitais de países e que distem entre 700 e quatro mil quilómetros de Schiphol, o que inclui todos os aeroportos nacionais, excepto Lisboa, assim como a grande maioria dos destinos da Grécia, Croácia, Espanha, e Marrocos, por exemplo.

Se essa medida avançar, vai afetar os voos que atualmente são efetuados por três companhias aéreas – Transavia, KLM e Vueling Airlines, entre os aeroportos do Porto, Faro e Funchal para Schiphol, segundo os dados solicitados à ANA pelo Jornal Económico.

Essas três companhias operam a rota Porto-Amesterdão, sem escalas para Schiphol, e passariam a ser desviados para Lelystad.

Além disso, a Transavia também opera atualmente a rota Faro-Amesterdão e Funchal-Amesterdão, ambas sem escalas, podendo acontecer-lhes o mesmo desvio, o que a levaria a ser a companhia potencialmente mais prejudicada por esta medida do governo holandês.

Além disso, a TAP, a KLM, a easyJet e a Transavia operam a rota entre Lisboa e Schiphol, mas essa não parece, para já, vir a ser afetada por esta iniciativa governamental holandesa.

Os ‘media’ locais, como o ‘Dutch News’ referem que as companhias aéreas “estão furiosas” e falam em ‘discriminação’ como é o caso da easyJet.

O Grupo ANVR, um ‘lobby’ empresarial holandês em torno do negócio das viagens emitiu mesmo uma reação oficial muito dura.

“Desta forma, os visitantes holandeses que vão de viagem visitar a sua família a Espanha têm de dar prioridade a viajantes de Bangalore [Índia] no caminho para visitar a sua família na Dinamarca, via Schiphol”, acusou o Grupo ANVR, acrescentando que os passageiros em trânsito acrescentam muito pouco à economia holandesa.

Mas esta medida não vai só afetar os viajantes holandeses, mas os de todas as nações que pretendam deslocar-se para Amesterdão a partir dos destinos afetados, seja por questões familiares, de trabalho ou de lazer.

Prevêem-se também sérios impactos negativos no setor turístico nacional, uma vez que o mercado holandês é um dos principais mercados emissores de turistas para Portugal, tendo no final do ano passado ficado na 5ª posição do ‘ranking’ da receitas geradas, com um total de 585,7 milhões de euros (subida de 0,2% face a 2015), apenas tendo sido ultrapassado pelo Reino Unido, Alemanha, Espanha e França.

Antes de se tornar uma lei efetiva, esta medida legislativa do governo português tem de ser aprovada pela Comissão Europeia, prevendo-se pelas reações iniciais, que o processo não será fácil.

 

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