Voto Útil. A arte de obrigar os eleitores a votarem o que não querem

Em todos os actos eleitorais quando nos aproximamos do momento do voto, os blocos partidários tentam condicionar o voto dos eleitores no sentido de os convencer a não votarem em favor das suas próprias opções mas votando negativamente contra as políticas que temem mais. A existência de um sistema eleitoral como o nosso que privilegia […]


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Em todos os actos eleitorais quando nos aproximamos do momento do voto, os blocos partidários tentam condicionar o voto dos eleitores no sentido de os convencer a não votarem em favor das suas próprias opções mas votando negativamente contra as políticas que temem mais. A existência de um sistema eleitoral como o nosso que privilegia a existência de grandes blocos mais ou menos homogéneos, faz ou fazia o resto.

No tempo da dicotomia clássica esquerda x direita, em que esquerda e direita tinham total liberdade de ser e propor o que lhes era próprio, a perversão atrás referida tinha por vezes um apelo quase irresistível. Nos tempos que correm, em que muito por via do tratado orçamental ter sido assinado pelos principais partidos da esquerda e direita clássicas, as opções de dinamização da economia por parte dos estados encontrarem-se severamente restringidas, a questão do voto útil, que já anteriormente era uma perversão, passa a ser uma perversão sem sentido. Por que razão iria alguém deixar de fazer avançar as suas próprias causas, se a consequência do dito voto útil deixa de ter a “utilidade” de derrotar uma política considerada adversária, uma vez que os principais contendores fazem propostas quase indistinguíveis? A resposta é que hoje, o original significado de voto útil não faz de todo qualquer sentido.

Em consequência do exposto é natural que nestas circunstâncias exista tendência para que a bipolarização se comece a dissipar e exista um ressurgimento da importância dos pequenos partidos. Um dos maiores erros do actual sistema de voto é tentar impedir este surgimento e sua progressão. Num sistema político decadente e em risco grave de esclerose, são os pequenos partidos que têm a potencial virtude de oferecer novas ideias que sejam a natural saída democrática para um sistema que deixou de funcionar e que deve ser regenerado. O actual sistema eleitoral coadjuvado por falhas graves de discernimento dos media, funcionam como um herbicida de acção total tipo glifosato, em que todas as plantas serão “exterminadas”, daninhas ou não. Este extermínio concertado, impede o que poderia ser a regeneração natural do sistema político. Perante esta realidade resta o discernimento cidadão em insistir manter o seu voto natural e opções políticas regeneradoras.

Cada vez mais pelas razões atrás referidas, votar em partidos que não só não defendem as nossas causas mas, muito pelo contrário as violam diariamente é tudo menos um voto útil para os cidadãos e assim, ceder aos apelos do dito voto útil é a forma de manter tudo na mesma, e nem sequer dá indicação para a mudança de políticas, sendo assim totalmente inútil.

Um outro aspecto complementar desta questão tem a ver com as sondagens que são feitas a partidos em que a margem de erro da sondagem é várias vezes superior à dimensão dos próprios partidos. Nestas condições as decisões que são tomadas pela maioria dos media, são apenas ponderadas pelos próprios preconceitos subjectivos de quem merece ou não ser promovido. Quando juntamos a isto a questionabilidade científica dos próprios métodos de sondagem, adequados a uma realidade que já desapareceu há décadas, tem mostrado por toda a Europa, a falibilidade grosseira das actuais sondagens.

Assim, resistir à manipulação do apelo do dito voto útil, é cada vez mais um imperativo de inteligência, liberdade e … utilidade. Por tudo isto, não votar no que nos é inútil é assim uma medida de sensatez básica.

Resta-nos pois, para os que não estamos satisfeitos com o rumo que a Humanidade e Portugal estão a seguir, decidir qual a direcção alternativa em que queremos apostar. Para quem como nós, quer regenerar a cidadania e o cuidado com as Pessoas, respeitar os outros seres não-humanos, nossos companheiros nesta viagem planetária que é a Vida e, finalmente fazer com que a nossa Casa Comum, possa chegar íntegra aos nossos descendentes, restam poucas dúvidas de que o único voto útil é no PAN.

André Silva

Porta-Voz do PAN (Pessoas-Animais-Natureza)

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