Wall Street: aviões nos céus de Taiwan agitam negócio da bolsa

Num dia marcado pela tensão crescente entre a China e os países mais ricos do Ocidente alinhados atrás dos Estados Unidos, os índices não conseguiram viver um momento de calma.

Com a tensão entre a China e os Estados Unidos a aumentar drasticamente depois da visita de Nancy Pelosi a Taiwan – que muitos analistas consideram que devia ter sido evitada – os principais índices da bolsa de Wall Street fecharam no negativo – com a exceção do Nasdac, que conseguiu passar a barreira para valores positivos.

O Dow Jones segue nos 32.719,21 pontos, menos 93,29 ou menos 0,28%; o Nasdaq está a negociar nos 12.695,42, mais 27,26 pontos ou mais 0,22%; e o S&P 500 está nos 4.149,08pontos, menos 6,09 pontos, ou menos 0,15%.

A evolução das forças armadas chineses no ar e no mar em redor de Taiwan e os receios de que a tensão venha a ter um desfecho muito mau acabaram por deitar por terra o que parecia ser a capacidade de os mercados registarem mais um dia de bons negócios. Os mercados acionistas globais estavam a subir pela segunda sessão, impulsionados por uma série de resultados empresariais positivos e dados económicos nos Estados Unidos que atenuam os receios dos investidores de uma recessão na maior economia do mundo.

Mas isso foi de manhã. Depois, vieram as notícias das manobras – que parecem ter sido feitas para amedrontar os habitantes da ilha e não apenas para lhes lembrar que a China continental ainda existe – e os mercados começaram a vacilar.

Mas o desastre não foi total: os principais índices de Wall Street fecharam mistos, com ganhos em ações de alto crescimento a compensarem as perdas em ações de energia, com os investidores a aguardarem o relatório mensal de empregos em busca de pistas sobre o ritmo de aumento das taxas de juros pela Reserva Federal.

Segundo a agência Reuters, a este estado de coisas juntam-se ainda preocupações com a desaceleração da economia global, que levaram os preços do petróleo ao menor nível desde antes da invasão da Ucrânia em fevereiro. Os rendimentos dos títulos norte-americanos caíram.

Mas os relatórios dos resultados das empresas mostram uma recuperação surpreendente na atividade do setor de serviços, o que também tem contribuído para segurar os mercados. “O mercado está procurando direção após uma forte recuperação que aliviou o profundo pessimismo que se tinha instalado”, disse Yung-Yu Ma da BMO Wealth Management, citado pela Reuters.

“Muitos sinais indicam que a inflação atingiu o pico, e a questão agora volta-se para a rapidez com que ela cairá ou se componentes mais rígidos a manterão mais alta que o que a Fed quer”, disse, para salientar que a questão está em saber-se se o banco central “está confortável” coma perspetiva dos níveis de inflação.

O foco estará agora no relatório de emprego norte-americano de sexta-feira, que deve mostrar que há uma recuperação do emprego relativamente ao mês passado. Mas estes dados acabam muitas vezes por serem ‘calados’ face a outros fatores. “Quaisquer sinais de força no mercado de trabalho podem alimentar os temores de medidas agressivas da Fed”, disse um comentador.

A presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, membro do painel que define as taxas, reiterou a necessidade de ver vários meses de inflação indicando o regresso à barreira dos 2% antes de o banco central sentir que deve preparar um alívio.

Recomendadas

Wall Street encerra sessão apenas com Dow Jones no verde

As ações valorizaram nas negociações da abertura, mas perderam intensidade à medida que o dia avançou. 

Bolsa de Lisboa encerra no ‘verde’ com Greenvolt a liderar nos ganhos

O preço do barril de petróleo está a subir, com o brent a avançar 1,26% para os 96,12 dólares e o crude a subir 1,02% para os 90,11 dólares.

Emissões de títulos excederam amortizações em 1.783 milhões de euros em junho

De acordo com o Banco de Portugal, “o sector financeiro foi o que mais contribuiu para este resultado”, com as emissões de títulos a excederem as amortizações em 1.556 milhões de euros.
Comentários