Wall Street: BCE contagia negativamente o mercado dos EUA

Já assustados há várias semanas com os avatares da Reserva Federal, os investidores do outro lado do oceano não encararam como vantajoso o aumento das taxas de juro decididas pelo Banco Central Europeu.

Os principais índices do mercado de capitais dos Estados Unidos foram arrastados pela decisão do Banco Central Europeu em iniciar o seu processo de subida das taxas de juros no próximo mês de julho e pela primeira vez desde 2011. Apesar de alguns sectores considerarem a medida tardia e o processo de aumento demasiado lento, os mercados norte-americanos reagiram mal – tal como sucede. Aliás, quando a Reserva Federal (Fed) faz o mesmo.

O Dow Jones segue nos 32.467,50 pontos, a perder 443,40 pontos, ou menos 1,35%; o Nasdaq desce para os 11.830,43 pontos, menos 255,84 pontos, ou menos 2,12%; e o S&P 500 cai para os 4.041,68 pontos, menos 74,09 pontos, ou menos 1,8%.

Embora a decisão do BCE fosse amplamente esperada, a possibilidade de um aumento maior a partir de setembro pesou no sentimento dos investidores norte-americanos, segundo os analistas citados pela agência Reuters.

Os investidores esperam agora que a Fed aumente as taxas em 50 pontos base na próxima semana, especialmente se os dados do consumo interno confirmarem, esta sexta-feira, uma inflação elevada. O medo, que se instalou há várias semanas, é que o controlo da inflação resulte na recessão e, concomitantemente, na queda generalizada das cotações.

Bill Papadakis, gestor da Lombard Odier, disse que os mercados veem a taxa básica de juros do BCE a chegar a mais de 2% e antecipam um crescimento mais lento. “Achamos que esse crescimento tornaria a política monetária restritiva e duvidamos que a economia da Zona Euro possa sustentar condições tão apertadas, dados seus desafios atuais”, disse Papadakis, citado pela Reuters.

“O BCE adotou um tom um pouco menos agressivo e, como resultado, vimos o euro ziguezaguear”, disse outro analista citado pela mesma fonte. “O facto de o BCE estar a aderir a uma trajetória de aumento gradual das taxas foi dececionante” – visão do outro lado do oceano, uma vez que a líder da instituição, Christine Lagarde, disse sempre que seria assim que o aumento das taxas funcionaria.

“O BCE parece estar cerca de seis meses atrás da Fed, pelo menos em termos de ação e provavelmente de atitude também”, disse Jack Ablin, diretor de investimentos da Cresset Asset Management. Com a inflação da Zona Euro nos 8,1%, o BCE “já havia sinalizado uma série de medidas, incluindo o encerramento do seu programa de compra de ativos de longa duração no final de junho”, recordou.

O BCE divulgou planos para aumentar as taxas em 25 pontos no próximo mês e provavelmente em 50 pontos novamente em setembro.

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