Wall Street com mais um dia para esquecer

A perspectiva de manutenção das taxas de juro em alta pelos próximos (muitos) meses não dá tréguas aos investidores do mercado de capitais, que continuam a assistir ao afundamentos dos principais índices da praça norte-americana.

Os principais índices de Wall Street voltaram a ter um dia para esquecer, em particular o S&P 500, que chegou a atingir o mais baixo valor em dois anos. Segundo os analistas, o motivo é recorrente: o apetite da Reserva Federal pelo aumento das taxas de juros, mesmo com o risco de colocar a economia em recessão. Ou em colapso, como preferem dizer os analistas do mercado.

Com o banco central norte-americano a sinalizar na semana passada que as altas taxas de juros podem durar até 2023, o índice S&P 500 apagou o que lhe restava da boa prestação do verão passado e chegou a níveis de novembro de 2020. Com a queda desta terça-feira, o S&P 500 caiu 24% em relação ao seu recorde de alta registado em 23 de janeiro passado. Dez dos 11 índices sectoriais do S&P 500 caíram.

Se é esse o motivo – houve quem ensaiasse uma explicação mais entusiasmante para a queda dos mercados: os vazamentos do Nord Stream 1 – as coisas só podem piorar: esta terça-feira, o presidente da Fed de St. Louis, James Bullard, defendeu mais aumentos das taxas, enquanto o seu homólogo de de Chicago, Charles Evans, disse que o banco central precisará de aumentar as taxas em pelo menos mais um ponto percentual ainda este ano.

“É dececionante, mas não é uma surpresa”, disse Robert Pavlik, da Dakota Wealth, citado +pela agência Reuters. “As pessoas estão preocupadas com a Fed, a política das taxas de juros, a saúde da economia”.

Os analistas da Wells Fargo, citados pela mesma agência, disseram que o banco central deverá elevar a meta das taxas para entre 4,75% e 5% até ao primeiro trimestre de 2023. “A economia está a mostrar sinais de resiliência, o que exigirá mais aperto monetário para desacelerar o crescimento o suficiente para trazer a inflação de volta à meta de 2%“.

O Dow Jones Industrial Average segue nos 29.058,96 pontos, menos 201,85 pontos ou menos 0,69%; o S&P 500 está nos 3.636,42 pontos, menos 18,62 pontos ou menos 0,51%; e o Nasdaq Composite está nos 10.789,37 pontos, menos 13,55 pontos ou menos 0,13%.

Para piorar o cenário, os analistas estão também preocupados com os lucros corporativos, que serão certamente atingidos pela pré-recessão da economia manifestada na alta dos preços. Os analistas reduziram as suas expectativas de lucro do S&P 500 para o terceiro e quarto trimestres, bem como para o ano inteiro.

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