Wall Street começa bem mas acaba no vermelho

Os mercados finalmente parecem ter entendido que a Reserva Federal ainda não se decidiu a moderar o aumento das taxas de juro. Antes disso, é preciso que a moderação do crescimento da inflação se consolide.

A Reserva Federal estragou a festa em Wall Street: depois de um auspicioso começo de dia, em que os principais índices davam mostra de grande desenvoltura, tudo voltou para trás quando o banco central deixou os investidores perceberem que a paragem na subida das taxas de juro ainda não será para já.

Apesar do alívio dos valores da inflação, o Reserva Federal mantém o foco no seu combate e pretendeu ‘acalmar’ os investidores, que há vários dias antecipam uma intervenção mais branda do banco central nos mercados. Antes que isso seja uma realidade, deixou a Reserva Federal subentender, é preciso que o abrandamento seja consolidado nos próximos meses.

O Dow Jones segue inalterado nos 33.309,11 pontos; O Nasdaq cai para os 12.762,25 pontos, menos 92,55 pontos ou 0,72%; e o S&P 500 resvala para os 4.202,77 pontos, menos 7,47 pontos, ou menos 0,18%.

A queda dos principais índices foi uma surpresa, num contexto em que os preços ao produtor caíram em julho e a inflação desacelerou, mas os pedidos semanais de subsídio de desemprego aumentam pela segunda semana consecutiva.

O S&P 500 chegou a ser negociado no seu nível mais alto em mais de três meses, à medida que novas evidências de arrefecimento da inflação consolidaram ainda mais as esperanças de um aumento menor nas taxas de juros. A ideia dos investidores era que o próximo aumento das taxas seria de 50 pontos base em setembro, em vez dos 75 pontos base que estavam inicialmente previstos.

Mas, como dizia a Reuters, e segundo um analista, “ainda há poucos pássaros no céu para se fazer a primavera”.

“As taxas ainda precisam de subir, embora no curto prazo o mercado esteja a reagir positivamente. A inflação é um pouco mais moderada, mas ainda não desapareceu como problema”, disse Chuck Lieberman, da Advisors, citado pela Reuters.

“As pessoas estão a projetar que haverá muito mais empréstimos no futuro se a economia estiver bem e a inflação cair”, disse Hugh Anderson, da Hightower Advisors, igualmente citado pela Reuters.

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