Wall Street em queda apesar do negócio da Disney e 21st Century Fox

Algumas divergências de Republicanos face ao texto final da reforma fiscal deixaram os investidores nervosos. Nem o negócio da Disney salvou Wall Street.

Trader Peter Tuchman works on the floor at the opening of the day’s trading at the New York Stock Exchange (NYSE) in Manhattan, New York City, U.S., December 22, 2016. REUTERS/Andrew Kelly

Wall Street caiu com perdas moderadas (Dow Jones: -0,31% para 24.508,66 pontos; o S&P 500: -0,41% para 2.652 pontos; e o Nasdaq: -0,28% para 6.856,5 pontos) num dia de pouco ânimo na bolsa.

Entre as ações com ganhos estiveram as da 21st Century Fox Inc, em alta de 6,5% para 34,88 dólares e as da Walt Disney que subiram 2,8% para 110,57 dólares. Mas nem mesmo o negócio bilionário entre a Walt Disney e a 21st Century Fox Inc. salvou Wall Street.

A Disney anunciou esta quinta-feira que chegou a acordo para comprar parte do império da Twenty-First Century Fox Inc, pertencente ao multibilionário australiano Rupert Murdoch, por 52 mil milhões de dólares (por uma quantia a rondar os 45 mil milhões de euros).

Para além dos índices habituais fecharem em queda o Russell 2.000 caiu 1,15% para 1.506

Os investidores estiveram a digerir nesta quinta-feira as últimas mensagens lançadas pela Reserva Federal dos EUA (Fed) e estiveram ainda cautelosos face a alguns problemas que parecem ter surgido na aprovação da reforma tributária que está em discussão entre o Senado e Câmara dos Deputados.

Com o aparente acordo no Congresso ontem, os Senadores republicanos, Marco Rubio e Mike Lee, disseram nesta quinta-feira que querem alterações à reforma tributária no que se refere a deduções fiscais nos impostos para pessoas singulares. Querem aumentar a parte reembolsável do crédito fiscal para crianças. O projeto de lei que foi aprovado pelo Senado aumentaria o crédito fiscal infantil para 2.000 dólares por criança, reembolsável até 1.100 dólares. O crédito atualmente é de 1.000 dólares.  Eles querem aumentar o nível de reembolso do crédito e efetivamente aumentar o nível de famílias elegíveis para esse crédito.

O plano económico de Donald Trump inclui fortes reduções de impostos, tanto para indivíduos como para empresas, e possibilidades de deduções fiscais até quatro vezes mais altas que as existentes na atualidade. O plano de Trump assenta também em parcerias público-privadas, nas quais uma empresa privada recebe créditos fiscais para realizar um investimento em infraestruturas,  e posteriormente o custo é recuperado através da cobrança de serviço pelo uso dessa infraestrutura. A taxa de imposto sobre as empresas cairá para 21%, em comparação com os 20% inicialmente propostos por com os 35% de imposto que as empresas pagam atualmente. Quanto ao imposto sobre pessoas, a taxa mais alta diminuirá dos atuais 39,6% para 37%. Os impostos estaduais e locais sobre a propriedade ou a renda terão uma dedução máxima de 10.000 dólares e o limite da dedução fiscal nos juros hipotecários será de 750.000 dólares. Além disso, o mandato federal para comprar seguros de saúde é eliminado.

Em termos macroeconómicos, de acordo com o IHS Markit, os dados de dezembro apontaram para tendências divergentes em toda a economia do setor privado dos Estados Unidos, com uma desaceleração no crescimento dos serviços mais do que compensando uma robusta aceleração na produção industrial. Como resultado, a estimativa do índice de saída composto PMI caiu para 53,0 em dezembro, face a 54,5 em novembro.

A atividade económica nos Estados Unidos atingiu em dezembro o valor mais baixo em 9 meses, segundo o índice de gestores de Compras (PMI, sigla inglesa), divulgado esta quinta-feira.

Esta medição representa assim a “mais fraca expansão da atividade do setor privado desde março”, apesar da subida registada na indústria ter sido a maior desde janeiro. Nos serviços, registaram-se os valores mais baixos desde há 15 meses. No entanto, aponta para um crescimento “modesto” de “pouco mais de 2% no quarto trimestre” diz o relatório da IHS Markit. Segundo Chris Williamson, o Economista Chefe da IHS Markit, este relatório trouxe boas e más notícias: enquanto no setor industrial o crescimento da criação de emprego foi o mais elevado dos últimos 3 anos, nos serviços este foi o mais baixo desde maio.

Na tarde de ontem, o Fed elevou a taxa de juros de curto prazo de 1,25% para 1,5%, deu um sinal de cautela ao sinalizar outra alta de juros em 2018 na reunião de fevereiro.

A liderar as quedas esteve a Caterpillar que caiu 1,5%, seguida da UnitedHealth (-1,4%) e da Verizon (-1%). Hoje os analistas do Deutsche Bank iniciaram a cobertura da Coca Cola (+ 0,3%) e da Pepsico (+ 0,2%) com uma recomendação de compra.

O petróleo fechou em alta de 0,78% no mercados do Estados Unidos para 57,04 dólares (o Brent em Londres tinha valorizado 1,52%  para 63,39 dólares).

Em novembro de 2017, a média da cotação internacional do petróleo Brent foi de 62,71 dólares por barril (+40,20% variação homóloga) segundo dados da EIA.

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