Wall Street encerra em forte alta

Se os dados da economia norte-americana continuarem a ser pouco auspiciosos, é possível que o consumo interno venha a implicar menos no crescimento da inflação. E talvez a Reserva Federal pense num menor crescimento das taxas. Esperança ténue, mas suficiente para os investidores.

Crash de 25% em Wall Street

As empresas norte-americanas referiram que a atividade económica permaneceu inalterada de julho até o final de agosto e que esperam um novo abrandamento para o próximo ano, revelou esta quarta-feira um relatório da Reserva Federal.

O banco central dos Estados Unidos pondera se deve ou não prosseguir com um terceiro aumento consecutivo das taxas de juros, desta vez de 75 pontos-base na sua reunião de política monetária de 20 e 21 de setembro. A tentativa é a de há meses: anular a alta da inflação. Mas os investidores de Wall Street sabem que, se a atividade das empresas permanecer inalterada, isso quer dizer que o consumo irá influenciar em menor escala a eventual subida da inflação. Pode até suceder que a queda do consumo faça com que a inflação modere os seus movimentos de subida.

Num mundo ideal para Wall Street, isso poderia mesmo querer dizer que a Reserva Federal poderia conter os seus ímpetos de crescimento das taxas diretoras, ou ao menos impor um crescimento mais lento – que aliás estava previsto no início da crise inflacionista.

Ou, dito de outra forma: os investidores esperam boas notícias para si, mesmo que más para a generalidade dos norte-americanos. Resultado: os principais índices bolsistas fecharam em forte crescimento.

O Dow Jones segue a subir para os 31.596,13 pontos, mais 450,83 pontos ou mais 1,45%; o Nasdaq está nos 11.801,27 pontos, mais 256,36 pontos ou mais 2,22%; e o S&P está a cotar nos 3.981,32 pontos, mais 73,13 pontos ou mais 1,87%.

O vice-presidente do Fed, Lael Brainard, disse esta quarta-feira que o banco central manterá a política monetária apertada “pelo tempo que for necessário” para reduzir a inflação, mas não abordou a próxima reunião de política monetária. Isso foi suficiente para os investidores sentirem uma almofada de ar renovado. E o dia foi, na sua ótica, positivo.

O contraste era evidente: na sessão de terça-feira, os índices terminaram as negociações em baixa. O S&P 500 caiu 0,41%, o Dow Jones caiu 0,55% e o Nasdaq caiu 0,74%.

“Os mercados estão a comportar-se um pouco melhor, mas as grandes preocupações ainda são o que a Fed fará em 21 de setembro, disse Brent Schutte, da Northwestern Mutual Wealth Management Company, citado pela agência Reuters.

Para já, o foco principal está no discurso de Jerome Powell, presidente da Reserva Federal, nesta quinta-feira e nos dados dos preços ao consumidor dos Estados Unidos na próxima semana, para os investidores obterem pistas sobre o caminho da política monetária.

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