Wall Street fecha instável em face da provável recessão

A indefinição está a marcar a economia interna dos Estados Unidos. sabe-se que haverá uma recessão, mas os seus contornos em termos de profundidade e duração não são claros. E o mercado mobiliário parece não gostar disso.

Os principais índices de Wall Street fecharam em queda nesta quarta-feira, após uma sessão instável em que os investidores lutaram, segundo os analistas, para entenderem qual será a direção da economia e na tentativa de avaliarem como o aperto da política monetária da Reserva Federal pode afetar as empresas norte-americanas.

O S&P 500 caiu pela quinta sessão consecutiva, enquanto o Nasdaq terminou em baixa pela quarta vez consecutiva. Os mercados também foram abalados por comentários pessimistas de altos executivos do Goldman Sachs, JPMorgan Chase & Co e Bank of America Corp na terça-feira anterior, segundo os quais o país estará em breve perante uma recessão mais pronunciada que aquilo que alguns analistas antecipavam.

O medo da recessão não é de agora: desde que a inflação acordou para valores que já não se conheciam há décadas que a quebra da economia está em cima da mesa. Os mercados andariam, distraídos? Não é provável – portanto, os investidores sabem há vários meses que a recessão está ao virar da esquina, muito por via da intervenção da Reserva Federal.

Os temores de que o banco central dos EUA possa aderir a um ciclo mais longo de alta de juros intensificaram-se recentemente, na sequência de fortes relatórios federais sobre empregos.

Outros dados económicos, incluindo a procura de subsídios de desemprego, índice de preços ao produtor e o sentimento dos consumidores, conhecidos esta semana, estarão na lista de material que os investidores estão a considerar para obterem pistas sobre o que esperar do dia 14 de dezembro, data de mais uma reunião do banco central.

O Dow Jones segue nos 33.582,40 pontos, menos 13,94 pontos ou menos 0,04%; o Nasdaq cai para os 10.959,99 pontos, menos 54,90 pontos ou menos 0,5%e o S&P 500 resvala para os 3.932,55 pontos, menos 8,71 ou menos 0,22%.

“Parece que estamos num período muito incerto, em que os investidores estão a tentar determinar o que é mais importante, já que os responsáveis das políticas estão a desacelerar as taxas, mas os dados não estão certos”, disse Craig Erlam, da Oanda, citado pela agência Reuters. “O mercado está a tentar equilibrar os ventos contrários e isso está a causar alguma confusão”, disse.

A maioria dos analistas considera que a Fed vai aumentar a sua principal taxa de referência em 50 pontos-base em dezembro para 4,25%-4,50%, com as taxas a chegarem a 4,93% em maio de 2023.

As preocupações com um aumento acentuado nos custos dos empréstimos impulsionaram o dólar, mas prejudicaram a procura de ativos de risco.

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