Wall Street: principais índices fecham no vermelho

Um inesperado aumento do comércio a retalho pode dar indicações de que a Reserva Federal tem de fazer mais para arrefecer a economia. Os mercados ressentiram-se.

Crash de 25% em Wall Street

As vendas no comércio a retalho dos Estados Unidos aumentaram mais que o esperado em outubro, uma vez que as famílias intensificaram as compras de veículos motorizados e uma série de outros bens, segundo relatório oficial. O relatório sugere que os gastos dos consumidores aumentaram no início do quarto trimestre, o que pode ajudar a sustentar a economia.

Mas também pode aumentar a inflação, cujo aumento parecia estar a ser controlado depois da intervenção da Reserva Federal. Talvez por isso – porque qualquer evolução demasiado positiva no consumo interno pode trazer o banco central de volta a posição mais radicais de combate à inflação – os principais índices de Wall Street fecharam e seguem no vermelho.

O Dow Jones segue nos 33.583,48 pontos, menos 9,44 pontos ou menos 0,03%; o Nasdaq está nos 11.192,26 pontos, menos 166,15 pontos ou menos 1,46%; e o S&P 500 está a contrair para os 3.963,21 pontos, menos 28,52 pontos ou menos 0,71%.

As sólidas vendas no retalho, evidenciadas pelo Departamento de Comércio esta quarta-feira e os sinais de desaceleração da inflação aumentaram o otimismo cauteloso de que a economia pode evitar uma recessão prevista para o próximo ano ou experimentar apenas uma leve desaceleração.

Enquanto outros dados mostraram que a produção em geral mal cresceu em outubro, a produção de equipamentos comerciais permaneceu forte. A força contínua nos gastos do consumidor e das empresas manterá a Reserva Federal “no caminho para apertar ainda mais a política monetária, embora a inflação em queda dê ao banco central espaço para reduzir a extensão dos aumentos nas taxas de juros”, refere um analista citado pela agência Reuters.

A presidente do Fed de São Francisco, Mary C. Daly, deu uma entrevista à CNBC TV na qual comentou a situação nos Estados Unidos. De acordo com Daly, as taxas de juro na ordem dos 4,75%-5,25% parecem apropriadas. Para já, não é uma opção manter a subida das taxas futuras, disse. E indicou que a Fed quer realmente ver uma desaceleração.

De qualquer modo, as condições globais continuam a ser um entrave ao crescimento económico do país e Mary Daly assinalou que mesmo que a Fed mantenha as taxas, a política monetária está a apertar à medida que a inflação cai. Em princípio s 5serão o nível final das taxas de juro. Um abrandamento na inflação e um mercado de trabalho mais forte são positivos, mas a Fed precisa de mais sinais concretos em relação a estes dois indicadores.

“Não é isso que a Fed quer ver, mas chega um momento em que os números da inflação estão a começar a melhorar”, disse Eugenio Aleman, da Raymond James , igualmente citado pela Reuters. “Isso manterá a Fed em guarda e comprometida em continuar a aumentar as taxas de juros para desacelerar a atividade económica”.

As vendas no retalho subiram 1,3% no mês passado, após ficarem inalteradas em setembro. Economistas consultados pela Reuters previam que as vendas subiriam 1%.

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