Wall Street volta a registar fortes perdas

Os principais índices das bolsas norte-americanas desceram fortemente no fecho do dia, com o índice tecnológico Nasdaq a estar novamente na frente das perdas.

Segundo os analistas, as ações norte-americanas reagiram em forte alta à decisão da Reserva Federal (Fed) em aumentar a taxa de juro em 75 pontos base e às palavras de Jerome Powell, presidente do banco, mas, como talvez fosse de esperar – dado que os investidores têm-se mostrado muito adversos à política central de combate à inflação. E o mercado não aguentou: fechou fortemente no vermelho.

O Dow Jones segue nos 29.939,62 pontos, menos 728,91 pontos, ou menos 2,38%; o Nasdaq dá um forte tombo para os 10.649,90 pontos, menos 449,26 pontos, ou menos 4,05%; e o S&P 500 vai nos 3.667,61 pontos, menos 122,38 pontos, ou menos 3,23%.

Jerome Powell admitiu um novo agravamento das taxas de juro em julho (50 ou 75 pontos base), mas estas subidas não vão ser a norma no banco central. Tentou assim acalmar os investidores, mas já ficou evidente que há um divórcio aparentemente inultrapassável entre o mercado mobiliário e a política de combate à inflação, que continua em alta histórica.

Assim, depois de uma quarta-feira auspiciosa, as ações voltaram novamente esta quinta-feira a cair com grande estrondo, com os investidores a tentarem livrar-se das posições mais comprometedoras. Os títulos do governo norte-americano oscilaram em máximas de vários anos depois de uma série de aumentos de juros de bancos centrais globais, o que reacendeu (ou mais precisamente aumentou) temores de que um aperto agressivo nas políticas poderia arrastar as economias para a recessão.

O Morgan Stanley estima que os mercados acionistas vão atingir novos mínimos, uma vez que as atuais expectativas para a evolução dos resultados das empresas são ainda muito otimistas.

“A economia aguenta? Até agora, os principais indicadores mostram boas leituras, mas continuamos cautelosos com o que parece ser um retraimento do consumo”, disse Giuseppe Sette, da Toggle, citado pela agência Reuters.

“Há muito nervosismo. Após o alívio inicial do Fed… os mercados parecem ter incorporado que ainda haverá mais uma alta de 75 pontos base”, disse Giuseppe Sersale, da Anthilia, igualmente citado pela Reuters. “Se até mesmo o banco central suíço subir surpreendentemente meio ponto as taxas, claramente os investidores imaginam que o aperto do banco central [norte-americano] ainda será muito violento. Há muito pouco co o que os investidores se possam alegrar”, acrescentou Sersale.

Assim, o futuro próximo do mercado de capitais parece estar sob forte pressão, não havendo qualquer perspetiva de que as ações e os índices possam começar a subir. A não ser que, por um milagre que já aconteceu outras vezes, o mercado saiba incorporar a nova realidade e siga adiante.

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