Warren Buffet quer transformar Iowa na “capital do vento do mundo”

A aposta na energia eólica não seria pelo mesmo motivo que Greta Thunberg, esclarece Buffet. “Não faríamos isso sem o imposto no crédito de produção que conseguimos”, explicou o presidente do conselho e diretor executivo da Berkshire Hathaway.

Carlos Barria/Reuters

O investidor milionário e filantropo americano quer transformar o estado de Iowa na “capital do vento do mundo, a Arábia Saudita do vento”.

Porém, na entrevista ao jornal “Financial Times”, Warren Buffet deixou claro que não está a projetar as ambições da jovem ativista Greta Thunberg. Em vez de liderar o movimento contra o aquecimento global e em prol da redução das emissões de CO2, Buffet explicou ao jornal que simplesmente quer aproveitar-se dos incentivos do governo no que toca aos investimentos em energias renováveis.

“Não faríamos isso sem o imposto no crédito de produção que conseguimos”, explicou o presidente do conselho e diretor executivo da Berkshire Hathaway.

Um dos negócios da Berkshire, a MidAmerican Energy, possui e opera mais de 2.600 mil centrais eólicas no Iowa, gerando mais da metade da eletricidade que a empresa fornece aos clientes daquele estado todos os anos. Além disso, a empresa está a aumentar a capacidade com o objetivo de satisfazer 100% das necessidades anuais dos clientes de Iowa usando apenas fontes renováveis.

O continente americano pode estar a fazer uma maior aposta na energia verde, mas Buffet desconfia das empresas que procuram objetivos sociais e ambientais. Na mesma entrevista, o empresário considerou que os executivos não deveriam canalizar o dinheiro dos acionistas para projetos periféricos e que era difícil avaliar se as empresas estavam realmente a trabalhar para práticas mais sustentáveis.

“É muito difícil avaliar o que está a ser feito”, disse. “Eu gosto de comer doces. Se são bons para mim ou não, já não sei”.

Além disso, considera que alguém teria que suportar os custos destas mudanças radicais e que a despesa raramente é partilhada igualmente entre os consumidores, disse Buffett. “Para fecharmos as centrais de carvão, os nossos acionistas ou os clientes teriam que pagar por isso”, explicou ao “Financial Times”. Caso os consumidores paguem, aqueles que vivem em regiões dependentes do carvão pagam a conta, enquanto que outros não pagam nada, acrescentou.

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