“Washington Post” quer jornalista para cobrir a Amazon, mas Bezos é dono do jornal

A publicação norte-americana procura “um jornalismo que revele as agendas dos principais executivos e escrutine o poder da empresa”. Mas quando o dono das duas é o mesmo, a questão pode tornar-se complicada.

1. Jeff Bezos

O “Washington Post” está à procura de um repórter para cobrir a Amazon. Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo, é o dono das duas empresas, o que pode levantar questões sobre a imparcialidade do jornalismo em causa.

O anúncio para o cargo está no website do jornal americano que foi adquirido por 250 milhões de dólares em 2013. O “Washington Post” diz procurar, para o cargo em questão, “um jornalismo que revele as agendas dos principais executivos e escrutine o poder da empresa sobre clientes, vendedores, rivais e trabalhadores”.

No anúncio, não está presente a ressalva que o dono do jornal é Bezos. Esse tipo de informação está, contudo, incluída no marcador “Sobre o Post”, sob o segmento “Estrutura de propriedade”.

Sobre a empresa, a publicação nortea-mericana escreve que “a Amazon é agora o segundo maior empregador privado dos Estados Unidos. O seu negócio principal virou de cabeça para baixo o comércio a retalho, atraindo o escrutínio dos reguladores, e redefiniu a força de trabalho americana, preocupando os trabalhadores que reclamam das condições do armazém”.

Mas a Amazon é mais do que compras online, realça o “Post”. “A Amazon Web Services ajuda a alimentar a Internet — além de hospedar dados confidenciais do governo — enquanto a Alexa gere casas inteligentes e as câmaras de segurança Ring examinam as ruas”, esclarece no anúncio.

A empresa é ainda um dos principais players no que toca ao streaming e jogos de vídeo. Por tudo isto, é reconhecida a “quantidade insondável de dados” que a empresa está a concentrar “sobre praticamente todos os aspetos da vida dos clientes”, o que justificará a necessidade de cobertura exaustiva  da sua atividade. Não será, contudo, exclusiva porque o repórter em causa terá também a responsabilidade de cobrir, em Seattle, a ‘vizinha’ Microsoft.

A cobertura de uma empresa por parte de um jornal com o mesmo dono pode levantar questões sobre a imparcialidade do jornalismo.

Não obstante, no estatuto editorial, o “Washington Post” esclarece que “dirá TODA a verdade (…) sobre os assuntos importantes da América e do mundo”, sendo de destacar o ponto em que indica que “o dever do jornal é com seus leitores e com o público em geral, e não com os interesses privados dos seus proprietários”.

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