Web 3.0 pode “revolucionar forma como comunicamos enquanto sociedade”

A Web 3.0 segue o processo natural de transformação da internet, com novas funcionalidades que antecipam uma utilização mais natural, embora mais intrusiva, de dados pessoais. No entanto, os especialistas destacam que os aspetos positivos compensam.

Se há característica que define o sector online é a capacidade evolutiva que apresenta. A Web 3.0 pressupõe uma comunhão entre máquinas e utilizadores, recorrendo a fatores biológicos, cujo objetivo é tornar mais natural a forma como se navega na internet, catalisar negócios e melhorar a experiência dos utilizadores.

No painel ‘Web 3.0 Discussion’, que contou com as participações de Kayna Rodrigues, Co-Fundador da Inevitable, Pedro Gonçalves, CIO da Teleperformance e Thomas Reby, Head of Hardware da Google Store e Google One na Google. Os intervenientes estiveram alinhados sobre o impacto que antecipam da Web 3.0 na sociedade, sublinhando que será um processo natural até à sua implementação e consequente adoção.

Um dos primeiros destaques, referido por Thomas Reby, prende-se com a segurança que a Web 3.0 confere. “Uma das principais vantagens que eu vejo é a utilização de bioautentificação, ou seja, tecnologia que permite usar factores biológicos para a segurança, como scans faciais, impressões digitais, oculares e por aí. No fundo, poderemos criar o nosso próprio, exclusivo, aperto de mão digital”.

A implementação desta tecnologia, segundo Ruby, estará em parte dependente do investimento comercial das grandes empresas multinacionais, “tal como aconteceu na Web 2.0”. O responsável da Google afirma que “a parte comercial é muito importante para a implementação e adoção desta tecnologia. É algo que acontecerá de forma natural à medida que as empresas se forem apercebendo do seu potencial”.

Kayna Rodrigues partilha a visão do seu colega de painel, mas deixa um aviso: “Se alguma empresa, ou alguém, acha que saberá utilizar esta tecnologia de forma super eficiente e eficaz neste momento, está enganada”. O líder da Inevitable, sublinha que aprender novas funcionalidades é um processo que exige contacto diário e dá um exemplo concreto: “Quando hoje entro num site e vejo um anúncio que diz que sou o visitante um milhão, sei automaticamente que é uma tentativa de burla, embora não me lembre de como é que aprendi isso. Na web 3.0 o processo vai ser semelhante. Aprender e assimilar as novas funcionalidades vai requerer um processo contínuo de aprendizagem.

Para o CIO da Teleperfomance, a Web 3.0 pode “revolucionar a forma como comunicamos enquanto sociedade”, embora admita que existem condicionantes, como a “soberania e a propriedade”. A soberania é importante porque falamos de fatores como identidade, propriedade e por aí fora. No final, se a soberania e a propriedade forem descentralizadas, podermos ter alguns problemas”.

“A internet evoluiu, muito mesmo, e cada vez tem mais impacto nas nossas vidas. Ao utilizarmos a internet, às vezes parece que os algoritmos conhecem-nos melhor do que nós próprios. Podemos encarar isto de forma positiva ou negativa. Às vezes pode ser bom que me seja recomendado um livro que eu desconhecia, mas por outro lado também pode ser considerado um processo invasivo”, aponta Pedro Gonçalves.

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