Webinar Especial Internet das Coisas (IoT): todas as respostas

O Jornal Económico, em parceria com a EY, realizou no dia 11 de julho um webinar sobre a Internet das Coisas. A emissão, em direto, contou com a presença de Miguel Amado, partner da EY. Se não teve oportunidade de acompanhar, ou se alguma questão ficou por responder, veja aqui as respostas às perguntas.

1) O que significa o acrónimo IoT, tão ouvido hoje em dia?

Internet das Coisas (Iot) é um ecossistema onde objetos, máquinas e pessoas podem interagir de forma livre. É mais do que apenas comunicação. Há aqui uma dinâmica entre os vários elementos, que acabam por crescer juntos.

2) Qual é ou quais são os principais propósitos da IoT e de ter esses elementos a comunicar entre si?

Há dois grandes fins: um económico, numa vertente mais corporativa e de adaptação a um mercado cada vez mais exigente e competitivo.

Outro fim tem a ver com o bem estar e felicidade das pessoas. Pode criar proximidade onde há distância, criar segurança, etc…

De qualquer forma os fins da IoT podem ser tão vastos, quanto é a criatividade humana.

3) Atualmente quais são as indústrias em que mais se notam os avanços da IoT?

As indústrias da tecnologia são as mais visíveis. Mas há outras, não tão visíveis, mas onde a IoT é a única forma de abastecer o mercado.

A indústria automóvel, por exemplo, tem uma cadeia de valor complexa e que para conseguir produzir tantos carros com tantas características tecnológicas, só com uma cadeia de valores automatizada e em plena comunicação. E há mais, por exemplo a agricultura. Esta indústria já tem muita IoT na sensorização de solo, da meteorologia, ou seja, tudo o que pode influenciar uma colheita.

4) Por falar em trazer felicidade ao quotidiano das pessoas, a previsão é de um alastramento e de um mundo cada vez mais IoT, verdade?

Sim, do lado corporativo é obrigatório porque será a única hipóteses das empresas desenvolverem a sua atividade. No lado pessoal, os millenials já vivem muito mais para a experiência do que para a posse e, por isso, a IoT, consegue proporcionar o que precisam. A próxima década certamente verá um grande alastramento.

5) Um grande investimento por parte das empresas para capacitar bens com IoT não se irá refletir na carteira dos consumidores?

Eu acho que o preço vai sempre depender da oferta e da procura e não à inovação tecnológica. Se a IoT criar características para acrescentar ao produto, esse poderá sair mais caro. No entanto, existem produtos que já são muito tecnológicos e que nem por isso estão mais caros.

A conectividade é quase já um dado adquirido.

6) Em Portugal, e olhando para o drama dos incêndios do ano passado, a IoT já está a ser aplicada em serviços públicos como bombeiros e polícia, para aprimorar a resposta?

No contexto nacional não tenho dados em detalhe, mas sei que há um conjunto de soluções com base em IoT que são úteis, nomeadamente na prevenção.

Existem drones que podem analisar e mapear territórios e criar uma camada física para analisar propensão de incêndios. Existem sensores que podem ser colocados no terreno e, lembro-me de ter visto o uso da IoT nas florestas com a Internet of Trees. Isto em conjunto com outros sensores, podem cruzados entre eles identificar situações de risco. A forma como depois os dados são utilizados é o mais importante. No combate estamos limitados à resposta humana, mas na prevenção podemos usufruir sim da IoT.

7) Com quase uma infinidade de aplicações levanta-se a questão da hiperconectividade. Vai ser necessário encontrar um equilíbrio?

Nós acompanhámos a evolução tecnológica. A nossa geração foi crescendo com uma evolução considerável. As gerações atuais já são nativas digitais e a tecnologia já nem se põe em causa. A hiperconectividade já existe e nem damos por ela, por isso, considero que é algo inevitável.

8) Em Barcelona, existem já muitos serviços públicos ligados em rede para melhorar a vida dos munícipes. É o caso, por exemplo, da recolha de lixo e da logística de tráfego. Algum outro exemplo mundial que se possa destacar?

Barcelona é, de facto, um bom exemplo. Há, no entanto, até em Portugal, já vários exemplos da aplicação de IoT em serviços públicos, sem querer mencionar nenhum específico. A recolha de lixo é muito interessante. Aliás, há já sensores que permitem optimizar as rotas e recolha, ao informar se o contentor está cheio ou não. Isso, em termos de logística, traz muitos benefícios. Em Portugal existem já exemplos de cruzamento de dados e da tal interação que a IoT permite. Casos de sensorização de tráfego, gestão de rotas, dados de meteorologia, agenda de eventos etc…

9) A pegada ambiental e a pegada digital também passaram a fazer parte do nosso léxico. Estes últimos exemplos, ilustram bem como a pegada digital pode beneficiar a pegada ambiental.

A forma como cada um está conectado, é que dita a forma como as coisas vão funcionar. A pegada digital é agora que para as novas gerações não é tão preocupante. No entanto, será a análise dessa pegada que ajuda a perceber o funcionamento da IoT.

10) Várias áreas da tecnologia, não vivem uma sem as outras e são interdependentes. A IoT também é assim, correto?

É realmente uma rede complexa. Para haver a tal interação que falámos há pouco, é necessária uma relação entre todo os intervenientes. Posso dar um exemplo simples: existe um sensor físico que permite ler temperaturas, movimentos, etc., depois há a comunicação, as empresas de telecomunicações têm de suportar essa comunicação, existe a cloud onde os dados são processados e armazenados e, algo extremamente importante, a rapidez. Com muitos sensores são produzidos muitos dados que por sua vez têm de ser analisados tecnologicamente. A inteligência artificial intervém, mas há mais intervenientes e todos são importantes nesta cadeia.

11) Quanto há segurança, e a questão impõe-se quando falamos de dados, há por parte dos decisores o objetivo de assegurar ainda mais a segurança e a privacidade dos intervenientes neste ecossistema?

Há e está na ordem do dia. Primeiro na privacidade dos dados que pertence a cada um de nós com regulamentos que já estão a ser aplicados. Depois há a segurança de tudo o que corre na IoT de uma perspectiva mais corporativa. Aí, é do interesse das organizações que haja essa segurança. A IoT funciona numa cadeia de valor com várias empresas e há que garantir essa segurança. A tecnologia vai sempre avançar mais rápido que a segurança e os regulamentos, mas vai depender dos decisores de da capacidade de atuar essa eficácia.

12) Os sensores aplicáveis a peças de mobiliário e de roupa, por exemplo, podem por em causa a nossa liberdade? Ou seja, será que chegar ao ponto em que cada um dos nossos passos possa ser seguido e detetado?

Eu creio que a legislação que está em vigor e futura dará sempre ao indivíduo a liberdade de escolha. Eu posso sempre escolher estar ou não disposto a que saibam dos meus passos. Há exemplos dos que necessitam desse acompanhamento, como crianças ou pessoas com deficiência.

O importante é, sempre, garantir uma opção de escolha. É um trade off com benefícios ou não.

13) Qual a aplicação que a IoT terá no ramo imobiliário?

Temos várias aplicações, talvez não tanto em Portugal, mas temos várias. Por exemplo, sensores para medir a estrutura física de um prédio para dar informação sobre o próprio imóvel. Ajuda mais uma vez o consumidor na compra. No que toca a movimentações de pessoas e carros, pode caracterizar zonas de mais ou menos movimentação. A IoT vai criar mais transparência na informação do imóvel e nos fatores que contribuem para o preço.

14) Quais as restrições legais que podem limitar o investimento em IoT por parte de instituições financeiras?

A banca não é a minha área de eleição, mas as instituições financeiras têm as tecnologias mais antigas e em que é mais difícil entrar. No entanto, vai ser inevitável e a IoT já está muito presente em movimentos financeiros.

Aqui, o blockchain vai ter um papel fundamental. É o que vai permitir mais transparência em todas as transações financeiras.

15) Dada a proliferação digital, há quem tema também uma perda significativa da mão de obra humana, nomeadamente em sectores como a agricultura.

Qual a sua opinião?

A história tem demonstrado que cada vez que há uma revolução, há sempre esse receio. O ser humano tem medo do desconhecido. Eu creio que é inevitável que muitas tarefas possam ser levadas a cabo por tecnologia. No entanto, a história também mostra que há muitos novos empregos e oportunidades que são criados e com necessidade de intervenção humana. O emprego dos meus filhos com certeza ainda nem foram inventados. Toda esta transformação vai criar outro tipo de oportunidades. As máquinas nunca irão dominar o mundo porque ele é humano.

16) Onde se posiciona Portugal atualmente no que toca a Iot?

Portugal é já um enorme laboratório de tecnologia com condições únicas. Temos uma população muito orientada para a tecnologia e temos sido palco de experiências importantes. Na IoT já temos muitas indústrias a usá-la de forma significativa. Outras estão agora a usá-la para manutenção preditiva, já com inteligência artificial para análise de dados e depois antecipar necessidades de produção.

Até temos já empresas a disponibilizar para o mercado soluções de IoT completamente integradas.

Estamos no comboio da frente, sem dúvida.

17) O seu colega e Partner da EY, especialista em IoT, Alexandre Poniewierski revelou recentemente ao JE que a IoT não é um conceito futurista. Daqui a quanto tempo estarão os objetos tão ou mais ligados que as pessoas a nível mundial?

Os números ajudam. Temos 7.6 mil milhões de pessoas no mundo e, dados de 2017 dizem que temos cerca de 8.4 mil milhões de aparelhos ligados entre si. A estimativa para 2020 é que esses objetos passem para 30 mil milhões, enquanto que o crescimento populacional para 2050 seja entre 8 a 10 milhões. A quantidade de objetos ligados já é, e vai continuar a ser superior. No final do dia, os objetos estão sujeitos às pessoas, pois são elas que se ligam a eles.

 

Este conteúdo patrocinado foi produzido em colaboração com a EY.

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