‘Windfall taxes’? Galp defende que Governo deveria ajudar na reconversão da refinaria de Sines

O líder da energética defendeu o uso de créditos fiscais ou a canalização de receitas para a refinaria ser convertida num centro de energias limpas. “Tenho uma mensagem para o Governo: encorajem-nos a investir”, disse hoje Andy Brown.

A Galp defendeu hoje que o Governo deveria ser parte da solução para a reconversão da refinaria de Sines.

O futuro da refinaria surgiu no âmbito da questão da taxa sobre os lucros extraordinários, na qual o Governo está a trabalhar.

“Estamos à espera que o Governo divulgue as regras, mas tenho de dizer que os lucros dos primeiros nove meses foram de 608 milhões de euros, mas investimos 940 milhões. É um problema se formos taxados sobre estes 600 milhões porque estamos a investir mais”, disse hoje o presidente executivo da empresa na Webb Summit.

“Tenho uma mensagem para o Governo: encorajem-nos a investir para o futuro das pessoas em Portugal, em vez de taxar e assim ficamos sem a capacidade de encontrar soluções para as pessoas”, acrescentou Andy Brown.

“O único sítio em que fizemos dinheiro em Portugal este ano foi na refinaria de Sines. Gastámos 2,7 mil milhões de euros nas refinarias nos últimos 18 anos em Portugal. Nunca tivemos um cash flow positivo até este ano. Agora, que estamos a fazer dinheiro, a reação imediata é taxar mais, ignorando as perdas do passado”, afirmou em declarações aos jornalistas.

“O objetivo é transformar Sines de uma refinaria de petróleo e de gás para um centro de energias limpas, queremos gastar 1,2 mil milhões até 2030 nesta conversão. Gostávamos que o Governo nos encorajasse através de créditos fiscais, reciclar algumas taxas para este futuro. Se os governos não fizerem isto, não vamos atingir os objetivos na transição”, segundo o gestor britânico.

Questionado se o impacto será superior a 100 milhões de euros, o gestor rejeita esta possibilidade. “Não, a maioria do dinheiro que fazemos tem origem no Brasil e não em Portugal”.

O ministro das Finanças já sinalizou que o Governo vai apresentar a medida ainda este ano, para ser aprovada no Parlamento até ao final de 2022, um requisito necessário para taxar os lucros das empresas relativos a este ano.

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