Winter is coming

Já repeti este título em crónicas anteriores, mas este inverno provavelmente vai ser o mais difícil que atravessei.

Já repeti este título em crónicas anteriores, mas este inverno provavelmente vai ser o mais difícil que atravessei.

 

A recessão em 2023, a inflação galopante, a política contracccionista do Banco Central Europeu, os juros a aumentar, as “soluções” de apoio à economia a centrarem-se em mais dívida e o nosso (des)governo são os ingredientes necessários e suficientes para uma tempestade perfeita.

 

A desfaçatez do nosso governo, a propor em sede de concertação social que os privados aumentem os salários em 4,8%, enquanto propõe, como patrão, 2% de aumento à função pública, revela a impreparação e a insensibilidade do mesmo.

 

Impreparação porque numa conjuntura económica adversa, com os custos de todos os factores de produção a aumentar, as vendas a baixarem fruto da recessão, não há pura e simplesmente possibilidade de aumentar os salários. Insensibilidade porque quando se trata de aumentar os salários dos seus “empregados” propõe um aumento muito inferior à inflação e não quer saber da austeridade que significa a perda do rendimento real dessas famílias.

 

Falar de evitar a espiral inflacionista quando cria um apoio universal e cego, tipo helicóptero a distribuir dinheiro pelas famílias, é só estúpido. Trump fez isso para evitar a deflação. O nosso Costa faz isso para tentar ganhar votos, num ambiente de inflação. Aumentar a massa monetária neste momento apenas aumenta a inflação…

 

Não é por distribuir dinheiro por todos, cegamente, que se produz riqueza. Dever-se-ia ter apoiado financeiramente os mais pobres, aqueles a quem realmente fazia diferença os apoios e não apenas € 125. E os restantes apoios deveriam ter sido canalizados para o apoio às empresas que criam riqueza, mediante um alívio fiscal, permitindo que estas façam frente ao aumento brutal dos factores de produção, nomeadamente da energia.

 

A redução transversal do IRC, acompanhada de benefícios fiscais que permitissem majorar os custos fiscais com a energia e salários seria o caminho de discriminar positivamente aquelas empresas que contribuem para o crescimento económico e produção de riqueza.

 

Todos criticam o choque fiscal de Liz Truss. Mas eu apostaria que a médio prazo todos irão reconhecer a justeza e a virtude dessas medidas verdadeiramente liberais.

 

A austeridade que aí vem, e os reformados e pensionistas serão os que mais sofrerão, dificilmente se coaduna com a confissão do Governo da ingovernabilidade de uma TAP nacionalizada. Foram mais de 3,4 mil milhões de euros e the clock is ticking…, o que serviria para financiar o défice da segurança social para os próximos três anos…

 

Os funcionários públicos, os reformados e pensionistas, os que deram a maioria absoluta ao PS tornaram-se na nova maioria silenciosa…

 

Winter is coming…

 

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