Wolves. A um mês do Mundial, o maior fornecedor da Seleção Nacional está em crise profunda

A pouco mais de um mês para o Mundial, a Seleção portuguesa corre o risco de ter uma boa fatia dos convocados a lutar pela manutenção na Premier League. O Wolves tem alguns dos melhores jogadores portugueses da atualidade, com um forte investimento sobretudo em jogadores da Gestifute. Tema estará em debate na edição desta sexta-feira do programa “Jogo Económico”.

João Moutinho, médio centro, 35 anos, Wolverhampton.

Uma vitória na Premier League apesar de ter feito um investimento de 137 milhões de euros. Falta um mês para o Mundial de futebol e o maior fornecedor da Seleção Nacional está em crise profunda. Aparentemente, dinheiro não é problema e a Gestifute constitui mais de 50% dos investimentos do emblema inglês.

Foi assim com Nuno Espírito Santo e com Bruno Lage, dois treinadores agenciados por Jorge Mendes.

Apesar dos elevados investimentos, Bruno Lage não resistiu aos maus resultados. Com o Wolverhampton em zona de descida, com apenas seis pontos em 24 possíveis (apenas uma vitória em oito jogos), o antigo treinador do SL Benfica deixou o emblema mais português da Premier League, não obstante ter contrato até 2024.

Mesmo que o Wolverhampton tenha, de certa forma, cumprido o seu objetivo na temporada anterior (décimo lugar em 2021/22), o maior contingente português em Inglaterra começou a época da pior forma e os três empates e quatro derrotas foram fatais para o caminho de Lage na equipa de atua no Molineux Stadium.

Contratações com selo de Jorge Mendes
Conhecidas as ligações próximas do superagente com o Wolverhampton, é possível perceber que, apesar do curto reinado de Bruno Lage à frente dos “lobos”, o antigo técnico campeão pelo SL Benfica, também ele agenciado por Jorge Mendes, orientou uma boa parte das suas contratações, tal como já tinha acontecido com Nuno Espírito Santo.

Assim, na primeira temporada como treinador do Wolves, Lage viu o clube gastar 37,6 milhões de euros em contratações, com oito milhões a serem investidos em José Sá, guarda-redes do Olympiacos e seis milhões de euros na taxa de empréstimo do extremo Francisco Trincão. Na temporada seguinte, investimento na contratação de jogadores aumentou quase 100 milhões de euros, com uma boa fatia desse orçamento (77,6 milhões de euros) a ser gasto em jogadores da Gestifute: 32,6 milhões de euros no avançado Gonçalo Guedes e 45 milhões de euros no médio Matheus Nunes.

Assim, em pouco mais de uma temporada com Bruno Lage, o Wolves gastou 174,2 milhões de euros em passes futebolísticos. Desse montante, 91,6 milhões de euros (52,5%) foram investidos em jogadores agenciados pelo superagente.

NES contrata 176 milhões à Gestifute

Nuno Espírito Santo, que abandonou o Wolverhampton em maio de 2021, direcionou 231,15 milhões de euros para a contratação de jogadores portugueses ou provenientes da Liga portuguesa, de acordo com os cálculos do Jornal Económico baseados nos números disponíveis no site Transfermarkt.

Em quatro épocas, Espírito Santo contratou dez jogadores agenciados pela Gestifute, gerida pelo agente Jorge Mendes, uma fatura de 175,9 milhões de euros.

O treinador português, que esteve quatro temporadas no clube inglês (tendo conseguido a subida à Premier League logo no no primeiro ano) gastou 337,96 milhões de euros em passes de futebolistas, sendo que 68,3% desse orçamento foi destinado a jogadores lusos ou futebolistas provenientes de clubes portugueses. Desportivamente, Espírito Santo conquistou dois sétimos lugares na Premier League e a 12ª posição na edição da Premier League desta temporada.

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