Xi Jinping em viagem histórica à Arábia Saudita

O presidente chinês estará três dias na Arábia Saudita, com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman a promover o encontro de forma bem mais festiva que aquela que reservou para o presidente dos Estados Unidos em julho passado.

Um pequeno toque entre dois punhos fechados – foi essa a imagem que ficou da viagem do presidente norte-americano, Joe Biden, a Riad, em julho passado. Pouco depois, a Arábia Saudita convencia a OPEP+ a diminuir a extração diária de petróleo para aumentar o preço da commoditie nos mercados internacionais – indo contra o propósito da própria viagem.

Inversamente, a visita do presidente da China, Xi Jinping, à Arábia Saudita, que começou esta quinta-feira, está a ser alvo de todas as atenções por parte de Mohammed bin Salman, segundo relatam os jornais do Médio Oriente. Isso coloca em evidência a importância cada vez maior das relações sino-sauditas, sendo uma mensagem clara da Arábia Saudita de que não aceitará continuar a ser um feudo das vontades diplomáticas dos Estados Unidos, segundo os analistas citados por aquelas fontes.

“A primeira viagem de Xi Jinping à Arábia Saudita em seis anos dá ao príncipe herdeiro saudita e primeiro-ministro Mohammed bin Salman uma grande oportunidade de afirmar a sua influência no cenário internacional como uma figura cada vez mais importante nos assuntos globais”, escreve a Al-Jazeera.

As reuniões concentrar-se-ão principalmente nas dimensões económicas da parceria sino-saudita, segundo a agência noticiosa saudita SPA: os dois países assinarão acordos no valor de 30 mil milhões de dólares, que irão aumentar as relações comerciais, de negócios e de investimentos entre ambos.

Os jornais enfatizam que a China é o principal mercado de petróleo bruto da Arábia Saudita, respondendo por mais de 25% de todas as exportações sauditas de petróleo bruto em 2021. John Calabrese, diretor do Middle East Institute, disse, citado pelos jornais, que a importância da China é fundamental para o bom andamento da chamada Saudi Vision 2030 — a ambiciosa agenda de diversificação económica do país, que contempla a construção da cidade futurista de Neom.

“A Arábia Saudita está a fazer parceria com a China para acelerar a digitalização do sector energético e a transformação digital da economia”, observou Calabrese. “A China também é um importante destino de investimento para a Saudi Aramco, já que esta busca expandir as suas atividades na Ásia. A cooperação no desenvolvimento do hidrogénio e das energias renováveis ​​está em estágio incipiente, mas pode florescer”.

Por outro lado, a importância que Pequim dá à visita resulta do facto de a China precisar de manter confiança num dos seus principais fornecedores de petróleo. Será de recordar que o crescimento da contestação ao regime iraniano dos aiatolas – país de cujo petróleo a China é o principal cliente – está a passar por uma fase de grande agitação, que não diz nada de auspicioso sobre a sua confiabilidade no curto prazo, na ótica de Pequim.

Os jornais recordam também que, há um ano, Pequim apoiou um plano de produção de mísseis balísticos da Arábia Saudita e envolveu-se na produção de drones. A área do armamento é particularmente sensível, dado que a Arábia Saudita é um dos tradicionais clientes de elite do poderoso sector norte-americano. Qualquer ‘desvio’ desta tradição para as redondezas dos interesses do antigo Império do Meio será por certo muito mal aceite pelos empresários dos Estados Unidos. Ou seja, será uma dor de cabeça para Joe Biden.

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