Zona euro em recessão e com inflação elevada em 2023, mas EUA escapam, prevê Credit Suisse

Inflação na zona euro vai continuar elevada e deverá recuar 6% no final do próximo ano. “Estamos a assistir a um choque de cultura de civilizações nos campos de batalha na Ucrânia”, disse o banco helvético sobre o conflito no leste europeu.

O Credit Suisse (CS) prevê que a recessão na zona euro se prolongue até ao final do primeiro semestre do próximo ano, com o bloco monetário a registar uma contração de 0,2% em 2023. Já a inflação deverá recuar dos 8,6% previstos no final deste ano para os 6% em 2023.

“Esperamos que a inflação continue elevada e uma moeda fraca  levem o Banco Central Europeu a subir agressivamente as taxas de juro para uma taxa de 3% no início de 2023”, segundo o banco.

Já os Estados Unidos escapam à recessão, com o banco helvético a prever crescimento em 2023. A inflação deverá recuar para os 3% até ao final de 2023, com o CS a prever que a Fed suba as taxas de juro “agressivamente” para uma taxa terminal a rondar os 4,75% a 5%.

“Uma política monetária rígida, uma política orçamental mais solta, problemas nas cadeias de abastecimento, crescimento global vai ser baixo”, disse hoje Michael Strobaek, diretor de investimento global do CS. “Não vamos regressar aos 2% num futuro próximo. Os bancos centrais não terminaram ainda” as subidas das taxas de juro, acrescentou durante a videochamada de apresentação das previsões.

O responsável também abordou a invasão russa da Ucrânia. “Estamos a assistir a um choque de cultura de civilizações nos campos de batalha na Ucrânia”.

“Existe um risco real de conflitos globais e de guerra. Há certas coisas a cristalizarem-se nesta guerra que vão ter consequências durante décadas. Os princípios de geopolítica na Europa estão em dúvida”, apontou Michael Strobaek.

Olhando para outras economias, o CS prevê um crescimento abaixo do consenso de 4,5% para a China em 2023: “um potencial de crescimento mais fraco e uma mudança lenta da política do Governo de zero-Covid deverão restringir a economia. A nossa expetativa é que uma reabertura relevante só vai acontecer no final do primeiro trimestre de 2023”.

Já a economia japonesa deverá registar um crescimento baixo de 0,5%. “A inflação deverá ficar acima dos 2% durante o primeiro semestre de 2023”.

No Reino Unido, depois de ter entrado em recessão no terceiro trimestre de 2022, a economia britânica “deverá continuar a sua contração durante a maioria de 2023”.

Na Suíça, o CS acredita que a economia helvética vai evitar uma recessão e crescer 1% em 2023, graças ao “ainda sólido consumo privado”. A inflação deverá recuar mais em 2023, e o banco central deverá aumentar a taxa em mais 0,5% até março e manter em 1% o resto do ano.

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