Zuckerberg: “Somos uma empresa muito diferente do que éramos há um ano”

O fundador do Facebook garante ter redefinido a rede social para proteger os dados dos utilizadores e evitar novo roubo de informação para fins políticos.

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, disse estar “orgulhoso do progresso realizado” em 2018 para melhorar a rede social, envolvida numa série de escândalos que minaram a confiança dos utilizadores e despertaram a atenção dos reguladores.

“Para 2018, o meu desafio pessoal era concentrar-me em alguns dos problemas mais prementes que a nossa comunidade enfrenta – evitar a interferência nas eleições, parar o discurso de ódio e a desinformação, garantir que as pessoas mantenham o controlo das suas informações e que nosso serviço melhore o seu bem-estar”, escreveu Mark Zuckerberg na sua página do Facebook.

O multimilionário afirma estar “orgulhoso do progresso realizado” em todas essas áreas, afirmando que a rede que criou e que hoje tem cerca de 2,3 mil milhões de utilizadores mudou “fundamentalmente” para responder a esses desafios. “Somos uma empresa muito diferente do que éramos em 2016, ou mesmo há um ano. Basicamente mudámos o nosso ADN para impedir que os nossos diversos serviços causassem danos e reorganizamos sistematicamente partes importantes da nossa empresa para se concentrarem na prevenção “, adiantou.

Segundo o fundador da rede social, 30 mil pessoas dedicam-se agora ao desenvolvimento de “medidas de segurança” para as quais o Facebook investe milhões de dólares. Foi em 2016, o ano das eleições presidenciais nos Estados Unidos, que as grandes polémicas que envolveram a empresa começaram. Nessa ocasião, a rede social foi acusada de ter sido usada por hackers russos para interferir na campanha eleitoral do então candidato republicano e actual Presidente Donald Trump, e desde então as controvérsias relativas ao Facebook têm acontecido em um ritmo frenético.

Cambridge Analytica ou Emerdata?

A Cambridge Analytica, empresa privada norte-americana, participada do grupo inglês SCL Group e criada em 2013, vai fechar portas, noticiou o “The Wall Street Journal” em maio deste ano . No entanto, e apesar do comunicado oficial da Cambridge Analytica, os responsáveis da empresa mudaram-se todos para a Emerdata, uma empresa criada em 2017 como uma filial de grupo, mantendo-se no mesmo mercado (prospeção e análise de dados) e até nos mesmos escritórios que a Cambridge Analytica, noticia hoje o jornal online “The Information”.

Este jornal online explicou que Alexander Taylor, o antigo diretor-executivo interino e assistente de dados da Cambridge Analytica foi nomeado diretor da Emerdata a 28 de março. Assim, Julian Wheatland, atual diretor da Emerdata também ocupou um cargo semelhante na rede de organizações da SCL.

Deste modo, os principais impulsionadores da Cambridge Analytica deixaram a empresa para dedicar-se à mesma atividade na nova empresa. Ainda não se sabe oficialmente que tipo de acordos vai manter a Emerdata com as redes sociais, nem em que âmbitos de microsegmentação de mercado focará a sua atividade.

De acordo com “The Wall Street Journal”, a Cambridge Analytica vai encerrar operações e declarar bancarrota. O escândalo no qual se viu envolvida a empresa levou a mesma a perder clientes.

Este caso ditou uma reviravolta decisiva numa empresa que chegou a ser considerada pioneira ao nível do modelo de contornos tecnológicos com que chegava ao público-alvo das campanhas políticas.

Recomendadas

Empresas reafirmam investimento contra riscos cibernéticos

A cibersegurança é uma prioridade para as empresas. O reforço do investimento na proteção de contra ataques mantém-se apesar da conjuntura atual marcada pela subida dos custos. 

Equinix cria fundo solidário de 50 milhões para promover a inclusão digital

A empresa de tecnologia norte-americana criou uma nova estrutura de apoio educativo. O conselho de administração da fundação irá, todos os anos, determinar o montante de doações da fundação, de modo a cobrir a concessão de contribuições ou a correspondência com as ofertas dos colaboradores.

Tecnológica portuguesa Innowave compra Cycloid

Desde 2018 que o grupo tem uma forte estratégia de M&A. “Esta aquisição é mais um passo na nossa estratégia de crescimento, materializada também na criação de centros de competência em Portugal, como é o caso de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Beja”, afirmou o CEO da Innowave, Tiago Gonçalves.
Comentários