A parceria que privilegia a economia social e as suas organizações ganha mais três anos

Daniel Traça, Dean da Nova SBE, e José Pena do Amaral, Consultor da Comissão Executiva e Membro da Comissão de Responsabilidade Social do BPI, explicam ao JE a originalidade da parceria Iniciativa para a Equidade Social, o que envolve e o que pretende alcançar. A parceria junta a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE.

A Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova School of Business & Economics (Nova SBE) renovaram esta quarta-feira, 28 de setembro, até 2024, a parceria Iniciativa para a Equidade Social, criada em 2019 para impulsionar o setor da economia social em Portugal, através de projetos de investigação e capacitação desenvolvidos por equipas académicas especializadas. No total, a iniciativa envolve atualmente seis projetos e duas cátedras que complementam a intervenção da Fundação ”la Caixa” e do BPI neste setor em Portugal.

Nesta parceria estão envolvidos 6 Centros de Conhecimento da Nova SBE, que lideram a execução dos projetos: Nova SBE Leadership for Impact Knowledge Center, Nova SBE Economics for Policy Knowledge Center, Nova SBE Finance Knowledge Center, Nova SBE Data Science Knowledge Center, Nova SBE Health Economics & Management e NovAfrica.

Daniel Traça, Dean da Nova SBE, e José Pena do Amaral, Consultor da Comissão Executiva e Membro da Comissão de Responsabilidade Social do BPI, explicam ao Jornal Económico a originalidade desta parceria, o que envolve e o que pretende alcançar.

 

Daniel Traça, Dean da Nova SBE

Em 2019 quando assinamos a primeira Iniciativa para a Equidade Social com a Fundação “la Caixa” e o BPI, a Nova SBE tinha um grande objetivo, que aliás era comum ao dos nossos parceiros: contribuir para a transformação do setor social em Portugal apresentando caminhos e propondo soluções para problemas concretos. A nossa ambição e expectativas, alavancadas na capacidade de investigação e know-how, permitiu-nos criar iniciativas estruturantes que respondem a questões práticas e de grande impacto social.

O conhecimento e a promoção de ações colaborativas baseadas numa lógica pioneira de relação e de forma de trabalhar com os nossos parceiros, guiaram o trabalho nos últimos anos e hoje a Iniciativa para a Equidade Social engloba seis projetos, duas cátedras e seis Centros de Conhecimento da Nova SBE, que lideram a execução dos projetos desta parceira.

O balanço desta parceria é muito positivo e nos próximos anos daremos continuidade ao trabalho conjunto entre a Nova SBE, a Fundação “la Caixa” e o BPI com o reforço do Relatório de Balanço Social e do Social Leapfrog estando também previsto o alargamento a outros pontos do país o programa de formação Liderança Social para Gestores que, em 2023 vai já estar também disponível na Universidade Católica do Porto.

Na Nova SBE somos uma escola vocacionada para o impacto na sociedade e para refletir sobre o futuro da mesma. Só desta forma conseguimos formar gestores cada vez mais humanistas que compreendem as forças sociopolíticas que afetam as suas comunidades, as incluem na estratégia das suas organizações e assumem a responsabilidade de assegurar um sistema que contribua para o bem-estar. A iniciativa para a Equidade Social enquadra-se em pleno no objetivo maior da Nova SBE que defende um ensino mais interdisciplinar, humanista e inovador.

 

José Pena do Amaral, Consultor da Comissão Executiva e Membro da Comissão de Responsabilidade Social do BPI

Esta é uma parceria original no quadro dos acordos e intervenções da Fundação la Caixa. Porque é concebida num horizonte plurianual com uma prestigiada escola de economia e gestão, que pretende pôr a sua capacidade de investigação, formação e criação de conhecimento ao serviço do sector social, onde a Fundação concentra a parte mais substancial dos seus meios. É uma experiência nova para todos, que funcionou muito bem nos primeiros três anos e que irá certamente consolidar-se nos próximos três.

Falamos muitas vezes da imperativa ligação da universidade com a sociedade, as actividades económicas e as empresas. Há felizmente hoje em dia muito bons exemplos nesta matéria. Mas aqui trata-se especificamente da economia social e das suas organizações e aí reside, só por si, uma perspetiva  inovadora, que pode facilmente encontrar-se na informação sobre o programa  que têm ao vosso dispor. São agora, no triénio 22-24, seis projetos e duas cátedras, que se organizam em três dimensões:

Em primeiro lugar, a Informação, através do Balanço Social, anualmente publicado, da Base de Dados e do Website sobre o sector social, que queremos tornar referências cada vez mais completas e indispensáveis nos domínios que cobrem e que serão sempre, por vontade da Nova SBE e da Fundação, estruturas de informação abertas, à disposição de todos, entendidas por nós como um serviço público.

Como segunda dimensão, a Capacitação, que se concretiza no lançamento de duas iniciativas de apoio à melhoria das competências de gestão das organizações sociais, através do programa Leapfrog, que procura apoiar entidades selecionadas, numa imersão de 3 anos, para darem o salto enquanto projetos sociais e económicos, e do programa de Formação para Gestores, que pretende preparar profissionais já experimentados para integrarem órgãos sociais de entidades do sector social.

A terceira dimensão corresponde à Formação/Investigação e abrange o projeto de tratamento de grandes massas de dados para analisar  problemas específicos em domínios como a saúde ou o ambiente, por exemplo, e as duas cátedras conduzidas por dois prestigiados professores portugueses, nos domínios da Economia da Saúde e das Finanças Responsáveis. Podemos talvez adicionar ainda uma quarta dimensão, relacionada com o sexto projeto, dirigido à medição do impacto, aplicada aos Prémios BPI/Fundação La Caixa, destinados a apoiar iniciativas do sector social, com uma história já longa de 12 anos, que criou um exemplo hoje felizmente seguido por outras entidades, infelizmente em menor escala. Hesito em identificar aqui uma dimensão específica, porque a medição de impacto deve estar cada vez mais sempre presente em todas as nossas iniciativas; mas a verdade é que neste caso queremos não apenas medir o impacto de um programa específico, mas contribuir também para desenvolver um método. E se há domínio em que a universidade pode ser decisiva, este é certamente um dos mais óbvios.

 Sabemos bem – a Escola e a Fundação – que a nossa Iniciativa para a Equidade Social não chega para  mudar o mundo tão amplo e difícil a que se dirige; mas confiamos que podemos dar um contributo para ajudar aqueles que conseguimos envolver em cada iniciativa concreta e sobretudo para criar novas ideias e estratégias, pelo exemplo, pela experimentação,  pela criação e difusão de informação e conhecimento. Não ignoramos, também, que para saber mais e fazer melhor é preciso tempo, é preciso tentar e por vezes falhar, é preciso corrigir, repetir, melhorar. Apraz-nos reconhecer, neste espírito, o profissionalismo, a competência e a dedicação da Nova SBE e de todas as suas equipas envolvidas no Programa.

 

 

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