A pertinência do prémio de risco de país na determinação do custo do capital

No mundo de hoje, em que empresas e investidores expandem os seus portfólios a diversas economias/geografias, os analistas vêem-se cada vez mais confrontados com questões relacionadas com a determinação dos riscos inerentes à globalização do capital.

A questão central a este respeito é a seguinte: Um dado investimento realizado em economias em desenvolvimento (e.g. África ou América do Sul) acarreta um risco superior ao de um investimento similar numa economia desenvolvida (e.g. Europa ou América do Norte)?

Para a maior parte dos analistas, a resposta parece ser obviamente afirmativa. No entanto, tal não significa que deverá haver lugar à cobrança de um prémio de risco de país sobre investimentos em economias menos desenvolvidas. Refira-se a este respeito que, de acordo com a teoria financeira, importa determinar se o risco inerente à localização dos investimentos se trata de um risco diversificável ou de um risco não-diversificável.

Para que o risco de país seja diversificável, o mesmo teria de constituir um específico do país, i.e. a correlação entre mercados de diferentes países teria se ser muito reduzida ou mesmo nula, pois apenas nestas circunstâncias seria possível eliminar o risco de país através de diversificação. Se por outro lado, existir correlação entre mercados de diferentes países, o risco de país terá de ser tratado como um componente de mercado não diversificável e portanto passível de justificar a cobrança de um prémio de risco sobre potenciais investimentos.

A leitura que encontra maior suporte entre analistas financeiros é a de que, se por um lado é verdade que um portfólio globalmente disperso poderá teoricamente ser diversificado, na prática verifica-se que a correlação aumenta à medida que aumenta o número de economias na amostra, concluindo-se que o risco de país não é passível de ser totalmente eliminado através de diversificação.

O entendimento acima tem implicações significativas na forma como se procede à determinação do justo valor de investimentos em economias menos desenvolvidas. Ao incluir a cobrança de um prémio de risco de país na valorização de investimentos, os analistas estão implicitamente a determinar que no momento do investimento, para investimentos com o mesmo perfil de cash-flows estimados, um Euro investido numa economia menos desenvolvida tem menos valor do que o mesmo Euro investido numa economia desenvolvida.

Apesar deste entendimento desafiar a noção de senso comum de que um Euro tem o valor de um Euro independentemente do localização geográfica, de uma perspetiva financeira, um Euro aplicado não constitui a mesma garantia de valor que um Euro disponível, verificando-se que o Euro aplicado tem efetivamente um valor diferente em função do risco específico da aplicação (no qual se inclui o risco de país).

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