A pressão dos preços no imobiliário da ilha da Madeira

Enfrentamos agora um problema de habitação para a classe média, que se tende a exacerbar em locais com maior procura turística. Urge a necessidade de se pensar e implementar políticas públicas de habitação para a classe média, uma vez que o direito à habitação se encontra consagrado na constituição.

A Madeira à semelhança de outras regiões do país tem vindo a registar nos últimos anos uma subida generalizada nos preços da habitação que não abrandou devido à pandemia. A região prima por ser um destino turístico de excelência, com um clima ameno, boa gastronomia, gentes hospitaleiras e com paisagens deslumbrantes, sendo galardoada com sucessivos prémios de melhor destino insular do mundo. A promoção do destino Madeira tem provocado uma nova procura externa de habitação na região, que desde há uns anos a esta parte era pouco significativa. Os imóveis procurados não se cingem necessariamente ao Funchal, mas a outras zonas, a Este, Oeste e costa Norte. É comum quando passamos em certos povoados, onde hoje em dia predomina uma população envelhecida e onde ainda temos alguns laços familiares ou velhos amigos, ouvir dizer “Esta casa foi vendida a um francês” ou “Este terreno foi vendido a um Alemão”, o que denota uma nova procura por sítios rurais ou urbanos que anteriormente seria residual.

Os estrangeiros contudo têm um poder de compra bem diferente dos madeirenses e estão dispostos a pagar mais. Há uns tempos ouvi um amigo mencionar que lhe tinham pedido uma opinião sobre um valor de um terreno numa certa freguesia da Costa Norte, ao que foi dito que talvez uns 100 euros/m2 seria um preço justo. O potencial vendedor rematou “E se eu pedisse 200 euros/m2?!”. Certo é que houve um estrangeiro que esteve disposto a pagar os 200 euros/m2.

Isto coloca aqui um cenário de sobrevalorização repentina dos preços dos imóveis e começa a gerar um efeito de bola de neve. “Se o vizinho do lado vendeu o dele por 200 eu vou vender o meu por 250…”. Este efeito acaba por contagiar o resto do mercado, provocando subidas de preços também nos imóveis destinados a habitação própria permanente, que começam a atingir valores pedidos incomportáveis para a classe média madeirense, mesmo com recurso a crédito à habitação que tem apresentado as taxas de juro e os spreads mais baixos de sempre nos últimos anos. O mesmo efeito transmite-se ao mercado de arrendamento, com os senhorios a pedirem rendas cada vez mais altas.

Falando agora do outro lado que é a oferta, no mercado predominam naturalmente os imóveis usados, existindo contudo alguns empreendimentos novos, mas que se destinam a um mercado premium (cidadãos estrangeiros e madeirenses de classe média-alta) e que são rapidamente absorvidos pelo mercado. Os custos de construção (mão-de-obra e materiais de construção) que se tem-se notado cada vez mais altos, desincentivam os promotores que pretendem investir em produto para a classe média. Mesmo em termos de imóveis usados, não existe no mercado produto suficiente face à procura. Vários mediadores imobiliários afirmam que estão a ter grande dificuldade em angariar imóveis para venda.

Fica a dúvida se certos imóveis valem o que pedem por eles, e se um potencial comprador estrangeiro realmente atua de forma prudente e com conhecimento de causa.

A Madeira teve nas últimas décadas uma oferta crescente de habitação social, que se destinavam às classes mais baixas. Contudo enfrentamos agora um problema de habitação para a classe média, que se tende a exacerbar em locais com maior procura turística. Urge a necessidade de se pensar e implementar políticas públicas de habitação para a classe média, uma vez que o direito à habitação se encontra consagrado na constituição.

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