Amnistia Internacional criticada por afirmar que forças ucranianas colocam civis em perigo

Inúmeros utilizadores do Twitter acusaram a ONG de estar a ser paga pela Federação Russa e apelaram ao fim das doações, sustentando com a perda de toda a sua credibilidade.

A Amnistia Internacional está a ser fortemente criticada nas redes sociais depois de um relatório da ONG afirmar que as forças ucranianas colocam civis em perigo ao estabelecer bases e operar sistemas de armas em áreas residenciais povoadas, como escolas e hospitais.

“Tais táticas violam o direito internacional humanitário e colocam os civis em perigo, pois transformam objetos civis em alvos militares”, acrescentou a Amnistia no Twitter, com base num documento que sustenta as declarações.

“É uma culpabilização vergonhosa da vítima. A Rússia invadiu a Ucrânia e está a cometer crimes de guerra indescritíveis lá. Por favor, não amplifique as mentiras russas”, respondeu Paulo Massaro, um conselheiro político sénior para os EUA com especialização em política externa e segurança europeia.

Inúmeros utilizadores do Twitter acusaram a ONG de estar a ser paga pela Federação Russa e apelaram ao fim das doações, sustentando com a perda de toda a sua credibilidade.

“Mas está tudo bem? Talvez seja a invasão russa que põe em perigo os civis? A Amnistia acabou de validar futuros crimes de guerra da Rússia. Loucura!”, escreveu a editora executiva da “New Voice Ukraine”, Nika Melkozerova.

As táticas dos defensores “de forma alguma justificam os ataques indiscriminados da Rússia”, salvaguardou a Amnistia, e alguns “crimes de guerra” russos, inclusive na cidade de Kharkiv, não estavam ligados às táticas.

Não obstante, o grupo de direitos humanos listou incidentes documentados por sobreviventes e testemunhas de ataques russos nos quais as forças ucranianas pareciam ter exposto civis ao perigo em 19 cidades e vilas nas regiões de Kharkiv, Donbas e Mykolaiv, ao operarem perto de residências na época dos ataques, expondo as áreas ao fogo de retaliação das forças russas.

“O Direito Internacional Humanitário exige que todas as partes em conflito evitem localizar, na medida do possível, objetivos militares dentro ou perto de áreas densamente povoadas. Outras obrigações para proteger os civis dos efeitos dos ataques incluem a remoção de civis das proximidades dos objetivos militares e o alerta efetivo de ataques que possam afetar a população”, relembra a ONG.

“Documentamos um padrão de forças ucranianas colocando civis em risco e violando as leis da guerra quando operam em áreas povoadas”, disse a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard. “Estar numa posição defensiva não isenta os militares ucranianos de respeitar o Direito Internacional Humanitário”.

O grupo diz que a maioria das áreas residenciais onde os soldados se localizavam ficavam a quilómetros de distância das linhas de frente.

“Havia alternativas viáveis ​​que não colocariam civis em perigo – como bases militares ou áreas densamente arborizadas próximas, ou outras estruturas mais distantes de áreas residenciais. Nos casos documentados, a Amnistia Internacional não está ciente de que os militares ucranianos que se localizaram em estruturas civis em áreas residenciais pediram ou ajudaram civis a evacuar prédios próximos – uma falha em tomar todas as precauções possíveis para proteger os civis”, indica a ONG.

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