Amnistia Internacional questiona ONU por não protejer civis em ataque na República Centro-Africana

A Amnistia Internacional (AI) questionou hoje a resposta da missão da ONU na República Centro-Africana (RCA) por ter falhado na proteção de civis durante um ataque de grupos armados a um campo de deslocados em 15 de Novembro.

“Apesar das tropas da ONU superarem em número os atacantes armados, as suas ações, antes e durante o ataque, levantam sérias dúvidas sobre se eles cumpriram o mandato de proteger a população civil”, denunciou a organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, em comunicado.

Em 15 de novembro, um acampamento para deslocados internos em Alindao, no sul da RCA, foi alegadamente atacado por rebeldes séléka. De acordo com a AI, cerca de 100 pessoas morreram no ataque .

A igreja de Alindao e uma parte do campo de deslocados que está na localidade foram incendiados.

A ONU indicou que 37 pessoas morreram no ataque, mas para a AI o número de mortos rondou os 100 e 18 mil deslocados foram forçadas a fugir novamente.

Os sobreviventes relataram como os “capacetes azuis” mauritanos, presentes no campo para católicos deslocados, “falharam na resposta” ao ataque.

“Em vez de se defenderem contra os agressores ou até de disparar tiros de advertência, as tropas mauritanas recuaram para a base principal do campo”, segundo o documento da AI.

O risco desses possíveis ataques é “iminentemente alto” em todo o país, acrescentou.

A República Centro-Africana caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por vários grupos unidos no movimento Séléka (que significa coligação na língua franca local), que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-balaka. A Minusca está no país desde 2014.

O conflito na RCA, que tem o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

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