André Ventura: o candidato ausente que esteve muito presente no debate das rádios

André Ventura recusou estar presente no debate das rádios, mas o seu nome foi referido por diversas vezes. Um dos temas em que surgiu o nome do presidente do Chega decorreu quando os candidatos presidenciais comentavam a coligação nos Açores, apoiada pelo Chega e Iniciativa Liberal.

Mário Cruz/Lusa

Esta segunda-feira, 18 de janeiro, decorreu o último debate presidencial, mas na TSF, Rádio Renascença e Antena 1. Ao contrário do debate televisivo, este ficou marcado pela ausência de André Ventura que recusou estar presente no local em conjunto com os restantes concorrentes a Belém. Apesar da ausência, o nome de Ventura surgiu no frente-a-frente entre os seis candidatos a Presidente da República.

O candidato ausente

O nome de André Ventura surgiu pela primeira vez no debate quando foi anunciado pelas moderadoras que se tinha recusado a comparecer. Em alternativa, o presidente do Chega propôs participar por videoconferência. Essa opção não lhe foi permitida, uma vez que as rádios apenas autorizariam essa opção em caso de algum dos candidatos estar em isolamento profilático, como foi explicado na abertura do debate.

Posto a introdução, foi Marisa Matias que mencionou o nome do líder do Chega. A candidata do Bloco de Esquerda apontou que André Ventura não marcou presença no debate nas rádios, para não ter de “justificar o incumprimento das regras da DGS durante a campanha”. No domingo, 17 de janeiro, o presidente do Chega e candidato presidencial realizou um jantar em Braga que juntou mais de 170 pessoas em pleno confinamento.

Chegada do Chega ao poder “acontecerá mais depressa se transformarmos em polo central aquilo que não é”

Mesmo ausente, Ventura voltou a surgir no debate quando os deputados comentavam a coligação nos Açores que se formou com o apoio do Chega e do Iniciativa Liberal. Marcelo Rebelo de Sousa defende que chegada do Chega ao poder “acontecerá mais depressa se transformarmos em polo central aquilo que não é”.

Para o atual Presidente da República, as ideias “devem ser combatidas”, considerando dispensável a “fulanização daqueles que sendo laterais querem ser centrais no sistema politico”.

Quanto aos Açores, o Presidente da República só pode exigir acordos escritos para retirar dúvidas sobre a constitucionalidade das políticas a seguir caso o Chega integre no futuro uma solução de governo, Marcelo Rebelo de Sousa disse que o representante da República na região açoriana “fez muito bem” em exigir esses documentos

Sobre o tema, Vitorino Silva frisou que o exemplo dos Açores mostra que “cá se fazem cá se pagam”, em alusão à geringonça do primeiro mandato de Costa. Por sua vez, Marisa Matias criticou a “pressa enorme” na formação de Governo nos Açores. A bloquista apontou ainda que “o que está em causa é se um Presidente deve dar posse a um Governo que defende a segregação de uma comunidade inteira e de não tratar de determinadas pessoas devido à sua cor de pele”.

Ana Gomes aproveitou a ocasião para acusar Marcelo de ter ajudado a “normalizar” o Chega nos Açores. Ana Gomes recordou que o partido liderado por André Ventura “propõe a pena de morte, prisão perpétua, quer confinar a comunidade cigana e insulta imigrantes e ciganos”. Por seu turno, João Ferreira referiu que o Presidente da República deve evitar o crescimento de forças antidemocráticas. O comunista garantiu que se fosse Chefe de Estado “tudo faria” para “evitar que forças antidemocráticas fossem crescer”.

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