Arquitetos destacam a necessidade de reinventar Lisboa após a pandemia

Espaços ao ar livre, utilização da água e sustentabilidade são alguns dos meios que os municípios devem utilizar para transformar os principais desafios em oportunidades para as cidades.

Sob o lema “adaptabilidade, sustentabilidade e resiliência”, vários arquitetos abordaram este sábado os principais desafios e oportunidades para o futuro próximo da cidade de Lisboa.

“Os dois últimos anos de pandemia mostrou-nos como é importante ter espaços ao ar livre, seja de habitação ou escritórios”, afirmou Elisabetta Trezzani, arquiteta do gabinete Renzo Piano – RPBW, autor do projeto Prata Riverside Village, em Marvila, durante a “Talk Arquitetura – Novas Oportunidades Urbanas” que decorreu no Palácio dos Arcebispos, conhecido também por Palácio da Mitra, em Lisboa, e que contou com o Jornal Económico como media partner, numa iniciativa integrada na sétima edição da “Lisbon Week”.

“Cada projeto tem uma história e relação diferente com a cidade. Tentamos aprender ao máximo sobre Lisboa e a primeira coisa como arquiteta que tenho de fazer é ouvir as pessoas e de alguma forma descobrir uma transformação que o projeto precisa em diferentes anos e ao mesmo tempo criar uma visão com o cliente e o município sobre quais podem ser os desafios no futuro”, referiu Elisabetta Trezzani, destacando que no caso do projeto Prata Riverside Village, da promotora VIC Properties, os principais desafios foram tentar criar um espaço onde as pessoas não só queiram viver, mas também criar uma ligação com o centro da cidade.

Por sua vez, Carlos Dias Coelho, presidente da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, salientou que as cidades estão em permanente reinvenção e que às vezes os grandes problemas, constituem grandes desafios e oportunidades de reinventar as cidades, dando como exemplo o terramoto em Lisboa ou os bombardeamentos da Segunda Guerra em Londres.

“A forma positiva como podemos enfrentar estes desafios trágicos é a forma como podemos reinventar como cidades e como devemos antecipar o futuro, para transformar aquilo que pode parecer mau, naquilo que será o grande de uma cidade”, sublinhou.

O docente destacou ainda que durante os dois anos de pandemia a forma como as pessoas começaram a usar as cidades foi diferente.

Por sua vez, Paulo Pelanda, também do gabinete Renzo Piano, defendeu que é importante reativar todas estas ligações, mas também entender que quando se constroi nas cidades é consumida muita energia, recursos e materiais, sendo depois necessário dar algo em troca.

“Por exemplo, no Prata tentamos usar o menos energia possível e ser o mais sustentável que conseguirmos e utilizamos materiais como a cerâmica que também faz parte da história de Lisboa”, realçou.

Já Nuno Mateus, da AXR Portugal Arquitectos, destacou que quando olha para as grandes oportunidades da cidade de Lisboa, uma delas é a sua relação com a água e o seu suporte físico e de como os sistemas de água e a água da chuva podem ser aproveitados.

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