Os períodos em que as perdas geradas com operações de crédito e outros ativos mais pesaram no balanço do Novo Banco foram os anos 2017 e 2018, precisamente após a venda de 75% do banco ao Lone Star e à inerente constituição do mecanismo de capitalização contingente a cargo do Fundo de Resolução. A conclusão conta da auditoria especial cujo relatório está publicado no site do Parlamento, expurgado da informação sensível sobre os clientes.

“No âmbito da análise à amostra selecionada identificámos um conjunto de situações relevantes, aplicáveis a créditos e ativos analisados no WS1 [Operações de crédito concedido] e WS3 [Outros ativos], com perdas superiores a 10 milhões de euros no período entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018”, relata a Deloitte.

A composição dessas perdas vem descrita sem identificar os clientes. O crédito a clientes (WS1) gerou perdas de 4 de agosto de 2014 a 31 de dezembro de 2018, de 2.143,4 milhões de euros. Sendo que estes 54 clientes e/ou ativos geraram perdas de 732,8 milhões de 4 de agosto de 2014 a 30 de junho de 2016; 386,9 milhões de 1 de julho de 2016 a 17 de outubro de 2017 (data da venda ao Lone Star) e depois de 18 de outubro de 2017 e até ao fim do horizonte da análise (31 de dezembro de 2018), as perdas subiram para 1.023,7 milhões.

No total as perdas somam 2.579,7 milhões desde a resolução, sendo que depois de 18 de outubro de 2017 e até 31 de dezembro de 2018, essas perdas tiveram um pico de 1.144,5 milhões. Isto inclui créditos, imóveis e títulos relacionados com perdas em crédito e outros ativos.

São “perdas relativas a devedores e ativos analisados no WS1 e WS3 com perdas superiores a 10 milhões de euros para os quais foi identificada alguma das situações descritas neste capítulo representam 92% e 35%, respetivamente, das perdas totais analisadas em cada um dos referidos Workstreams (2.320 milhões de euros e 1.236 milhões de euros, respetivamente)”, lê-se no relatório.

O documento revela que “na secção 6.3.2. “Operações de crédito com as perdas mais relevantes” é apresentada uma descrição sucinta dos Grupos económicos incluídos no âmbito da nossa análise cujas perdas associadas aos devedores e ativos incluídos na amostra, no período entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018, totalizam um montante superior a 50 milhões de euros”, mas esse capitulo está ocultado na versão publicada.

“Identificámos um conjunto de entidades que após 4 de agosto de 2014 entraram em incumprimento das suas responsabilidades junto do Novo Banco, as quais haviam sido originadas no BES, alegando, em processos judiciais, que a sua dívida estava diretamente relacionada com investimentos feitos por essas entidades em empresas do Grupo Espírito Santo”, explica a Deloitte.

A evolução da exposição bruta às seis entidades identificadas, pertencentes a três grupos económicos é descrita na auditoria. Era 228,5 milhões a 4 de agosto de 2014, passou a ser 228 milhões em 30 de junho de 2016 e assim se manteve todos os anos até 31 de dezembro de 2018. O relatório público não identifica as seis entidades.

A Deloitte ressalva que  “para quatro das entidades, representando cerca de 28% das perdas acima referidas, de acordo com a documentação do Banco as decisões em primeira instância têm vindo a ser desfavoráveis ao Banco. Para as restantes duas entidades, representando cerca de 72% das perdas, as decisões em primeira instância têm vindo a ser favoráveis ao Banco. Não obstante, foram registadas perdas considerando que uma das entidades foi sujeita a uma medida de Resolução e a outra entidade se encontrava em insolvência”.