Banco público vai liderar financiamento

Sindicato bancário liderado pela CGD financia solução. Montepio e Novo Banco estão na corrida.

Jose Manuel Ribeiro/Reuters

O financiamento do fundo de recuperação de créditos que vai indemnizar os lesados do BES vai ser assegurado por um sindicato bancário liderado pela CGD, onde há mais dois bancos a analisar a entrada, avançou ao Jornal Económico fonte próxima do processo.

A Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), responsável pela atividade bancária do Grupo Montepio, é uma das entidades que está interessada em estudar a possibilidade de participar na operação de financiamento do veículo. Também o Novo Banco poderá conceder o crédito necessário para que o veículo garanta o pagamento dos 286 milhões de euros o para pagar até 75% do capital investido no prazo de três anos.

Além de financiador, a CGD vai ainda ser o banco depositário: vai gerir as participações mobiliárias. Isto porque os lesados que aderiram à solução vão ter uma parte do capital do fundo de recuperação de créditos.

Garantia até 301 milhões

O empréstimo será garantido pelo Estado até 301 milhões de euros, para indemnização aos clientes lesados. Vai assegurar que receberão a primeira tranche de 30% em 2018, mesmo que o fundo não tenha dinheiro nessa altura. Segundo uma portaria de 10 de novembro, este é o limite máximo da garantia estatal a conceder ao fundo de recuperação de créditos dos clientes do antigo BES com papel comercial do GES, que vai adquirir direitos de crédito que ascendem a 460 milhões de euros através de um financiamento de 286 milhões de euros (caso a totalidade dos lesados adira à solução).

Em setembro, a Patris foi escolhida por 99,6% dos associados da Associação de Lesados do Papel Comercial (AIEPC) para fazer a gestão do fundo de recuperação de créditos, durante 10 anos, estando neste momento a tratar da ‘montagem’ do fundo e de arranjar o financiamento necessário para as indemnizações.

No modelo fixado, os lesados do BES vão poder recuperar até 75% do capital investido até 500 mil euros, com um valor máximo estipulado de 250 mil euros. No caso de aplicações acima de 500 mil euros, a percentagem de recuperação é de 50%. O valor será reembolsado por aplicação e não por cliente (há aplicações que têm mais do que um titular).

Quanto ao pagamento, este será feito pelo chamado fundo de recuperação de crédito, devendo esse pagar 30% da indemnização (130 milhões de euros se 100% dos lesados aderirem à solução) aos lesados logo após a assinatura do contrato de adesão à solução o que deverá acontecer até ao final de fevereiro de 2018. O restante valor será pago aos lesados em mais duas parcelas, em 2019 e 2020.

Relacionadas

Fundo dos lesados avança com ações de 20 mil milhões

Veículo que financiará lesados do BES vai avançar com meia centena de ações judiciais contra todos os responsáveis solidários. Ricardo Salgado, auditoras e Haitong estão entre os visados.

“Falta conhecer muitos dos beneficiários do saco azul do BES”

Jornalista Luís Rosa tem um novo livro sobre o caso BES, escrito com base nos interrogatórios feitos pela Justiça a Ricardo Salgado. Revela que ex-presidente do BES ligou Marcelo Rebelo de Sousa à venda do jornal Sol ao angolano Álvaro Sobrinho.
Recomendadas

Governo aprova extinção do fundo de pensões da Caixa

A extinção do fundos de pensões da CGD já está aprovada. Os beneficiários não serão, contudo, prejudicados, já que as responsabilidades passam para a CGA.

Taxa média dos novos depósitos atinge 0,35%, a mais baixa da zona euro

Enquanto a remuneração dos depósitos continua baixa, a taxa de juro dos novos empréstimos para a compra de casa fixou-se em 3,24% em 2022, um máximo desde julho de 2014.

CEO do Santander Totta revela que são “poucos milhares” com crédito à habitação em risco de incumprimento

No entanto, Pedro Castro e Almeida deixou um alerta: “Se os juros subirem para 4%, vamos ter muito mais reestruturações”. Nesse cenário, este responsável acredita que a economia vai “arrefecer”, adiantando ainda que esse arrefecimento pode ser benéfico para Portugal.
Comentários