Bitcoin. Ultrapassagem da barreira psicológica dos 20 mil dólares pode “aumentar euforia”

Após três semanas de negociação ‘lateralizada’ o preço da Bitcoin disparou 7% e estabaleceu um novo recorde. “Fala-se que as whales [baleias], detentores de muitas bitcoin, normalmente players de longo prazo, estão a desfazer lentamente de posições”, disse Filipe Garcia, da IMF. O objetivo é manter o preço elevado ao criar oferta num mercado marcado pela escassez e ampla procura.

Num ano de recordes sucessivos, a cotação da criptomoeda Bitcoin ultrapassou esta quarta-feira a fasquia dos 20 mil dólares, uma “barreira psicológica” que os analistas dizem poderá intensificar a tendência em alta e até mesmo aumentar a “euforia” no curto prazo.

Segundo dados do site Coindesk, às 17h20, a Bitcoin negociava nos  20.792,37 dólares, uma subida de diária de 7,21%, tendo inclusive tocado num novo recorde intraday nos 20.890,11 dólares.

“Esta era uma barreira psicológica, mas também técnica, já que os máximos anteriores, quer em dezembro de 2017 (quase no mesmo dia) e a 1 de dezembro deste ano foram muito próximos dos 20 mil dólares”, afirmou Filipe Garcia, economista e presidente da consultora IMF-Informação de Mercados Financeiros.

Os analistas tem atribuído o disparo de 177% no valor da moeda digital este ano ao apetite pelo risco nos mercado, à entrada de investidores institucionais, escassez de oferta e à perceção de que poderá tornar-se num ativo de reserva.

Henrique Tomé, analista da corretora XTB, explicou que desde que o preço se aproximou desta “grande barreira psicológica” nos 20 mil dólares tem vindo a abrandar a tendência de alta.

“Contudo, ao contrário do que muitos especuladores esperavam, o preço acabou por conseguir sustentar os ganhos junto da grande barreira e acabámos por não assistir às fortes correções que aconteceram quando preço atingiu, pela primeira vez, o marco dos 19 mil dólares em 2017-2018”, adiantou.

Em termos globais, a presença dos cripto-ativos ainda representa pouco mais de 0,5% da utilização mundial, recordou Tomé. “Porém, temos assistido à injeção de muito capital por parte de grandes instituições financeiras – como fundos e bancos de investimento; a Paypal e até mesmo investidores a título particular, como é o caso de Paul Tudor Jones, que têm vindo a dar cada vez mais credibilidade ao mercado das criptomoedas”.

O facto da Bitcoin, hoje, ter conseguido ultrapassar esta barreira, é fruto das recentes movimentações por parte das grandes instituições que acabam por ter um papel importante na captação da atenção dos investidores de retalho, fazendo com que os níveis de procura por este tipo de ativos volte a ganhar destaque, sublinhou o analista da XTB.

Filipe Garcia, da IMF, sublinhou que o movimento de subida “está muito relacionado com a entrada de investidores dos EUA, ao contrario dos do passado, mais ligado à de participantes asiáticos”.

“Fala-se que as whales [baleias], detentores de muitas bitcoin , normalmente players de longo prazo, estão a desfazer lentamente de posições”, acrescentou, explicando que o objetivo é manter o preço elevado ao criar alguma oferta num mercado marcado pela escassez e ampla procura. Para Garcia, “no muito curto prazo é de se esperar um aumento da euforia”.

Henrique Tomé, da XTB, admite que “os investidores deverão estar conscientes de que o rally já vem desde março e que a ausência de correções significativas, até agora, poderá fazer com que exista alguma pressão acumulada por parte dos vendedores no mercado”.

Frisou que, por outro lado, deve-se notar que o preço da Bitcoin “tem vindo a ser negociado de forma lateralizada nas últimas três semanas e se se mantiver acima da faixa dos 20 mil dólares então acaba por sugerir que essa possível quebrar da zona de lateralização poderá intensificar mais a tendência de alta, acabando por influenciar as restantes altcoins – que também têm registado ganhos ao longo da sessão de hoje, mas que poderão ser prolongados caso este sentimento positivo no mercado prevaleça”.

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