Bloco critica expansão do metro de Lisboa. Ligação entre o Rato e Cais-do-Sodré é “erro histórico”

Bloquistas criticam projecto que pretende criar uma linha que ligue o Rato ao Cais do Sodré. Consideram que aval da Agência Portuguesa do Ambiente a este troço é “erro histórico” que “prejudica populações dos concelhos limítrofes” em detrimento do turismo.

O Bloco de Esquerda Loures lamenta o aval da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à ligação do Metropolitano de Lisboa entre o Rato e o Cais do Sodré. Para os bloquistas esta decisão é “erro histórico” que “prejudica populações dos concelhos limítrofes” em detrimento do turismo. E alerta que é uma  “opção errada em termos ambientais” que vai “aumentar o fluxo automóvel” para Lisboa.

A reacção dos bloquistas surge após a APA ter emitido, no final de novembro,  uma Declaração de Impacto Ambiental (DIA) favorável condicionada ao projecto que cria uma linha circular no Metropolitano de Lisboa e liga o Rato ao Cais do Sodré.

“É um erro histórico e prejudica amplamente as populações dos concelhos limítrofes da capital, nomeadamente Loures”, critica Fabian Figueiredo, dirigente nacional do Bloco e candidato à Câmara Municipal de Loures nas últimas autárquicas.

Segundo este dirigente, “depois de anos de promessas falhadas, mais uma vez, toma-se uma opção que privilegia o turismo em detrimento da população que trabalha em Lisboa e reside nos concelhos vizinhos”.

O responsável bloquista recorda que milhares de famílias de Loures deslocam-se diariamente para Lisboa para trabalhar, perdendo horas no trânsito por falta de alternativas viáveis ao nível dos transportes públicos que,  frisa, “em Loures são escassos e muito caros”.

“Esta opção vem tornar a vida das famílias lourenses mais difícil e mais dispendiosa, sendo igualmente uma opção errada em termos ambientais, pois aumenta o fluxo automóvel que entra em Lisboa todos os dias”, acrescenta.

Fabian Figueiredo  considera ainda que é uma opção que não tem em conta a deslocação crescente de muitas famílias para os concelhos vizinhos da capital, num movimento que diz ser  “fruto do aumento selvagem das rendas habitacionais em Lisboa”.

Recorde-se que, na passada semana, a APA deu luz verde à ligação de metro Rato-Cais do Sodré. A proposta, que pressupõe outras modificações, deverá significar um investimento de cerca de 210 milhões de euros , devendo as obras arrancar até ao final do primeiro semestre de 2019″, com um prazo de execução previsto de 68 meses (até 2023), segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2019. Este investimento será aplicado no projecto que cria uma linha circular no Metropolitano de Lisboa e liga o Rato ao Cais do Sodré, incluindo as novas ligações nos viadutos do Campo Grande”.

No passado dia 27 de novembro, a empresa informou ter recebido da APA uma declaração “condicionada ao cumprimento dos termos e condições impostos no documento”, que não são especificados.

Com estas obras, obtém-se uma linha circular a partir do Campo Grande com as linhas Verde e Amarela, passando as restantes linhas a funcionar como radiais – linha Amarela (Odivelas a Telheiras), linha Azul (Reboleira – Santa Apolónia) e linha Vermelha (S. Sebastião – Aeroporto).

APA diz que ainda não há ok para início da obra

Depois de a empresa Metropolitano de Lisboa ter anunciado que tinha “luz verde” para o projeto “Prolongamento entre a Estação Rato e a Estação Cais do Sodré, incluindo as Novas Ligações nos Viadutos do Campo Grande”, a APA esclareceu que não é bem assim. Ou seja, ainda falta apresentar, e aprovar, o projeto de execução.

Segundo a APA, o “projeto do Prolongamento entre a Estação Rato (Linha Amarela) e a Estação Cais do Sodré (Linha Verde), incluindo as Novas Ligações nos Viadutos do Campo Grande foi sujeito a procedimento de avaliação de impacte ambiental (AIA) em fase de Estudo Prévio, tendo a 16/11/2018 sido emitido o respetivo Título Único Ambiental (TUA), cujo sentido da decisão foi favorável condicionada ao cumprimento das condições incluídas na Declaração de Impacte Ambiental (DIA), em anexo ao mesmo”.

No entanto, conclui, esta aprovação não implica  a ‘luz verde’ para o início da construção desta ligação.

 

 

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