Bolsas: Lisboa acompanha ‘rally’ pares europeias em dia de Draghi

Ações do BCP disparam mais de 5% pelo terceiro dia seguido, ainda animadas pela banca italiana

Daniel Munoz/Reuters

O índice PSI 20 sobe pelo quarto dia seguido, animado por um novo disparo do BCP, e acompanha os principais pares europeus, numa sessão que deverá ser dominada pelo intervenção de Mario Draghi na conferência de imprensa, às 13h30, após a reunião mensal do Banco Central Europeu.

O ‘rally’ das praças europeias, de quatro dias, é o mais longo em dois meses. O DAX alemão sobe 0,37% e negoceia acima dos 11.000 pontos pela primeira vez em mais de um ano, enquanto Paris e Milão sobem 0,10% e 0,50%, respectivamente.

O consenso entre os analistas é que o Conselho de Governadores do BCE deverá prolongar o agressivo programa de compras de activos, de 80 mil milhões de euros por mês, além de março de 2017, eventualmente por mais seis meses.

Stephane Barbier de la Serre, estrategista de mercados na Makor Mercados de capitais em Genebra, disse que os mercados esperam “uma posição muito acomodatícia” do BCE, mas alertou que há algum risco de decepção após os ganhos desta semana nas acções.

“Em qualquer caso, a palavra que simplesmente não queremos ouvir é ‘tapering'”, disse à Bloomberg, referindo-se a qualquer sinal que Draghi possa oferecer sobre o calendário para abrandar ou reduzir o programa de compras.

Segundo três-quartos dos 76 economistas sondados pela Bloomberg, o ligeiro aumento da inflação e o moderado crescimento económico darão espaço a Draghi para começar a abrandar o programa da compra de ativos no final de 2017.

Em Lisboa, o PSI 20 acentuou os ganhos da abertura e sobe 0,9%, com 15 dos atuais 18 títulos em terreno positivo.

O BCP sobe 5,3% e já acumula um disparo de mais de 12 pct esta semana, continuando a acompanhar o ‘rally’ da banca italiana. O Monte dei Paschi, cujas ações escalam quase 6%, disse ontem à noite que pediu ao BCE uma extensão do prazo para completar o aumento de capital, de cinco mil milhões de euros, do final do ano para 20 de janeiro.

A Pharol também prolonga o ganho forte de ontem e valoriza mais de 5%, enquanto a retalhista Jerónimo Martins avança 1,9%.

No mercado de dívida, a ‘yield’ das Obrigações do Tesouro portuguesas a 10 anos sobe 1 ponto base para 3,53 %, em linha com as principais equivalentes da zona euro, que também registam subidas ligeiras, com investidores a aguardarem a reunião do BCE, segundo traders.

Em Wall Street. O Dow Jones e o S&P 500 registaram um novo máximo de fecho e o Nasdaq ficou lá perto. Assim, o Dow Jones alcançou os 19.549,62 pontos depois de subir 1,55% e o S&P 500 fechou nos 2.241 pontos com a subida na sessão de 1,32%. Este índice acumula quatro sessões consecutivas de subidas. O Nasdaq fechou a subir 1,14% para 5.393,56 pontos.

Na Ásia, o Nikkei de Tóquio fechou em máximos de dezembro de 2015, impulsionado por dados positivos do comércio internacional da China, onde as exportações quebraram uma série de sete meses de quedas e subiram 0,1% em novembro, superando as estimativas.

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