Bundesbank avisa que embargo ao gás russo custará 180 mil milhões de euros à Alemanha

O Bundesbank acrescenta que a medida também terá como consequência uma redução do PIB alemão de 5% em 2022, desencadeando um aumento nos preços da energia e uma das recessões “mais profundas” das últimas décadas.

Uma proibição imediata da União Europeia (UE) às importações de gás russo poderá custar à Alemanha 180 mil milhões de euros em produção perdida este ano, revela o Bundesbank no seu último boletim mensal, publicado esta sexta-feira, 22 de abril, e citado pelo “Financial Times”.

A confirmar-se o embargo ao gás russo, o banco central alemão acrescenta que a medida também terá como consequência uma redução do produto interno bruto (PIB) alemão de 5% em 2022, desencadeando um aumento nos preços da energia e uma das recessões “mais profundas” das últimas décadas.

A estimativa do banco central é muito mais sombria do que a de economistas académicos e, muito provavelmente, trará à praça pública um aceso debate sobre a preparação da maior economia europeia para prosperar sem o gás russo.

O governo da Ucrânia, formuladores de políticas e académicos europeus argumentaram que as vendas de gás, petróleo e carvão para o ocidente estabilizaram a economia russa e ajudaram a financiar a máquina de guerra do presidente Vladimir Putin. A UE proibirá as importações de carvão da Rússia a partir de agosto, mas as entregas de gás devem continuar.

No mês passado, nove economistas universitários, consultados pelo “Financial Times”, classificaram as consequências de um embargo total de energia como “administráveis”, dizendo que prejudicaria o PIB da Alemanha entre 0,3% a 3%.

No entanto, executivos do sector alertaram que o impacto seria mais severo. O presidente-executivo da Basf, Martin Brudermüller, disse que uma interrupção repentina das entregas de gás russo poderá destruir “toda a economia” da Alemanha e desencadear a pior crise económica desde 1945.

Os políticos também rejeitaram as alegações de que o impacto económico seria menor, com o chanceler alemão Olaf Scholz rotulando as estimativas de “erradas” e “irresponsáveis”. O ministro da Economia, Robert Habeck, disse que a Alemanha planeia acabar com as importações de gás russo até 2024.

Nas reuniões do FMI e do Banco Mundial em Washington na quinta-feira, 21 de abril, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, pediu que a UE seja “cuidadosa” ao proibir as importações de energia da Rússia, alertando para os danos que tal medida pode infligir à economia global.

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