Director da CarNext: “Carro tornou-se um bem escasso”

Os veículos usados são uma alternativa à aquisição de um bem que se tornou escasso, avança o managing director da CarNext.

Há veículos comerciais com um a dois anos e com o mesmo preço do veículo novo. A explicação está no tempo de espera por um carro saído de fábrica.

Como caracteriza o atual momento de vendas dos usados?
Vivemos um momento desafiante, não há como o esconder, existe uma falta de produto fora do normal, a pandemia, escassez de semicondutores e mais recentemente a guerra na Ucrânia vieram sem dúvida trazer desafios adicionais ao mercado dos usados. Felizmente em termos de procura e à exceção do mês de abril (mês em que sentimos o receio dos consumidores, devido à inflação, aumento das taxas de juros), tem sido positiva, no fundo o carro tornou-se um bem escasso e os usados uma forma rápida de ter uma viatura disponível. Respondendo à pergunta de forma direta, os usados estão a vender-se bem, e mais produto existisse, mais carros venderíamos.

É verdade que há usados com preços próximos dos veículos novos?
Sim, não se aplica a todos os modelos, mas para viaturas específicas, por exemplo VCL (Veículos comerciais ligeiros) com um ou dois anos o preço está muito próximo de uma viatura nova, mas diria que acaba por ser normal, tendo em conta o tempo de espera para entrega de uma viatura similar nova. A CarNext continua a ter preços competitivos em comparação com os seus pares, dando aos seus clientes amplas possibilidades de escolha nas atuais condições do mercado.

Como é feito o mercado de usados? Com veículos saídos do renting e leasing ou também com importações?
As viaturas que existem disponíveis no mercado são maioritariamente do renting, leasing e também retomas vindas diretamente do consumidor, este último ponto não sendo novo está, contudo, a crescer e a ganhar um peso cada vez mais importante, existindo já muitos players a apostar forte nesta vertente.

Quanto às importações, temos feito algumas experiências na CarNext, mas muito residuais até porque o sucesso não tem sido o esperado, muito por culpa do tempo que em Portugal se demora a legalizar uma viatura.

Como tem evoluído o renting dos usados? Há procura?
Que tipo de veículos?
A CarNext não disponibiliza renting de usados aos seus clientes, contudo do contacto que temos com as gestoras de frotas, tem sido um produto de particular importância nestes tempos mais recentes, pois permite-lhes ter oferta, não havendo novos, fazer renting de usados torna-se a única opção para disponibilizar uma viatura ao cliente. Claro que este ponto não ajuda a venda de usados, pois são mais viaturas que deveriam entrar no mercado, mas que acabam por fazer mais 2/3 anos no renting antes de voltar a entrar e claro está com mais quilómetros e idade.
Em termos de veículos, eu diria que um pouco de tudo, com particular incidência nos segmentos citadino, carrinhas, SUV’s e LCV.

A procura de eletrificados a crescer que acontece nos veículos novos também acontece nos usados, ou os clientes são diferente?
Sim, cada vez mais temos clientes a procurar elétricos e híbridos plug-in e a CarNext está a trabalhar para expandir a nossa oferta neste espaço. Há um foco crescente no aspeto ambiental na compra de automóveis, e por isso temos investido mais na formação do nosso pessoal sobre a venda de veículos elétricos.

Em termos fiscais os usados são mais interessantes para particulares do que para empresas?
A maioria dos usados CN tendo IVA descriminado não existe qualquer diferença de atratividade em termos fiscais. São por isso interessantes para ambos, os usados, sendo mais baratos, são uma solução mais económica para as empresas, no ponto de vista da Tributação Autónoma, pois conseguimos disponibilizar uma viatura de um segmento mais elevado com um preço mais acessível, logo pagando menos taxa. Isto para não falar no facto de já terem sofrido a parte mais acentuada da curva de desvalorização.

Que impulso trouxe à CarNext a entrada da Contellation Group no capital?
Em 14 de outubro de 2021 anunciámos a combinação do Constellation Automotive Group e da CarNext. Esta combinação criou o maior player totalmente digitalizado da Europa em termos de volume, valor e rentabilidade. E sendo o player digital mais capitalizado da Europa, com dois mil milhões de euros de liquidez disponível, a Constellation tem o poder de fogo para expandir o nosso negócio e melhorar as nossas operações.

As intenções dos novos proprietários para a CarNext são atrativas e vão no sentido de acelerar o crescimento da empresa nos vários territórios, incluindo Portugal, com o benefício de recursos financeiros significativos e conhecimentos especializados da indústria.

Quais os desafios da Carnext em termos de sustentabilidade, redução da pegada ambiental e transição energética?
Cada vez mais consumidores estão preocupados com o futuro do nosso planeta e querem fazer a sua parte. A tendência é de termos EV cada vez mais acessíveis em segmentos cada vez mais baixos. Os promotores do leasing empresarial selecionam os veículos elétricos em muito grande escala e a oferta de carros elétricos usados de qualidade está a crescer significativamente, uma vez que muitos carros elétricos em leasing já estão a chegar ao fim dos seus contratos. Este fenómeno tornará os carros elétricos acessíveis e ao alcance de um grande grupo de consumidores.

Já vemos que os veículos elétricos que chegam à nossa plataforma são muito populares entre os nossos clientes e estamos totalmente preparados para que esta tendência continue. Por exemplo, os nossos parceiros de recondicionamento já estão a desenvolver as suas práticas em torno dos veículos elétricos, especializando-se cada vez mais neste nicho crescente.

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