Aviso do BE ao Governo: “Continuam a vender produtos de risco aos balcões dos bancos”

Catarina Martins diz ser necessário “parar os lesados” e aponta o dedo à solução do Governo, que não cobre todos os injuriados pela banca.

“Depois dos lesados do BES já tivemos os lesados do Banif”, reforçou Catarina Martins, esta tarde, durante o último debate quinzenal do ano. A líder do Bloco de Esquerda sugeriu uma alteração na lei e lançou um desafio a António Costa: “O PS que mude o sentido de voto e não teremos lesados no futuro”.

Em declarações no plenário, Catarina Martins sublinhou que o “Governo pode hoje orgulhar-se do défice, mas o custo para o país foi alto”, exemplificando com o fecho de escolas, como o da Escola Secundária de Carcavelos, noticiado hoje.

Em resposta a esta intervenção, António Costa disse que mede os resultados quando vê “o desemprego a baixar” e “maior apoio social”. Sobre as divergências entre os dois partidos, o primeiro-ministro foi pragmático: “É sabido que não estamos de acordo em tudo. Não é um drama. Vivemos confortavelmente com as nossas diferenças”.

António Costa realçou que a proposta foi apresentada, que “o crédito vai ser comprado e cobrado” e que os responsáveis pelas operações “fraudulentas” serão devidamente responsabilizados. “O Governo quer resgatar a confiança dos clientes portugueses na banca”, assegurou o primeiro-ministro.

A número um do Bloco de Esquerda retorquiu com a hipótese de se continuar a ter lesados neste ramo, tendo em conta que se “continuam a vender produtos de risco aos balcões dos bancos”. Ainda assim, Catarina Martins assegurou que um dos “caminhos” de que o partido se orgulha é “o acordo com o PS sobre o salário mínimo”.

Nesse sentido, António Costa reafirmou a meta de atingir os 600 euros de salário mínimo nacional em 2019, na medida em que considera um objetivo importante para o “combate às desigualdades sociais” da sociedade portuguesa.

A dirigente bloquista introduziu mais dois temas no debate, incluindo a questão das PPP (Parcerias Público-Privadas) de gestão na saúde, cuja despesa em 2017 será de 448 milhões de euros, consoante referiu Catarina Martins. Na sua perspetiva, a “única forma de proteger o Serviço Nacional de Saúde é aproveitar esta oportunidade e inverter para a gestão pública os hospitais de Braga e Cascais”.

No final do seu discurso no debate quinzenal, a bloquista fez ainda referência aos despejos forçados de famílias, como por exemplo na zona da Amadora. “É necessário um novo recenseamento”, apelou, aproveitando a ocasião para questionar o Executivo sobre a data para um futuro estudo estatístico.

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