CEO da Galp quer “parceria” com o Estado para reconverter refinaria de Sines (com áudio)

“O Governo tem de trabalhar com empresas como a Galp para encontrar novas soluções”, defendeu o CEO, frisando que é necessário evitar que, no longo prazo, a refinaria de Sines tenha o mesmo destino que a de Matosinhos, que encerrou este ano.

O CEO da Galp, Andy Brown, defendeu hoje que o Estado deve trabalhar em conjunto com a empresa para transformar a refinaria de Sines nas próximas décadas, com a aposta na energias ‘verdes’.

“A transição energética vai exigir que todos trabalhem em conjunto. Vamos precisar de muita inovação e de novas ideias. Sines vai precisar de uma rápida transformação (…). Tudo isto tem de ser feito em parceria com o Estado”, disse Andy Brown num pequeno almoço com responsáveis de várias empresas, à margem da Web Summit, em Lisboa.

“O Governo tem de trabalhar com empresas com a Galp para encontrar novas soluções”, acrescentou o CEO perante uma plateia que incluía gestores de empresas como a Bondalti e a Sociedade Central de Cervejas.

“No longo prazo, na década de 2030, vamos precisar de descarbonizar Sines. Isso significa investir no hidrogénio e outras energias limpas. E eventualmente teremos de encerrar parte da atividade feita com combustíveis fósseis. Para isso será necessária uma parceria com o Governo. O Governo tem de querer criar um futuro para Sines, para evitar uma situação como a de Matosinhos, em que estivemos a perder 800 milhões de euros durante 15 anos. Não era viável. E temos de nos assegurar que Sines continua viável, por Portugal e pelos postos de trabalho”, defendeu o CEO.

Acrescentou que a Galp tem várias propostas em cima da mesa para o futuro da refinaria de Sines, algumas relacionadas com a cadeia de valor das baterias e outras sobre combustíveis sustentáveis. “Creio que o Governo é muito progressista no que toca a adotar soluções à base de hidrogénio. Temos uma boa relação no que diz respeito às oportunidades futuras”, frisou.

“Podíamos ter feito as coisas de forma diferente em Matosinhos”

Em declarações aos jornalistas, Andy Brown defendeu que a reconversão de Sines será um processo que irá demorar “várias décadas” e que são necessários “incentivos” e outras medidas para que a refinaria não tenha o mesmo destino da que detinha em Matosinhos, que encerrou este ano.

Questionado sobre o facto de Galp ter sido referida durante a última campanha eleitoral, com as críticas de António Costa ao fecho da refinaria de Matosinhos, Andy Brown admitiu que a empresa poderia “ter feito as coisas de forma diferente” na forma como lidou com as pessoas, mas frisou que o encerramento era “inevitável”.

“A Galp perdeu 800 milhões de euros em Matosinhos nos últimos quinze anos. O fecho era inevitável”, disse.

 

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