Cientista Elvira Fortunato estreia-se na governação como ministra da Ciência e Ensino Superior (com áudio)

Pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente era até agora Vice-Reitora da Universidade NOVA para a área da investigação e coordenadora do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação.

Aos 57 anos, a professora catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, Vice-Reitora da NOVA para a área da investigação desde 2017 e coordenadora do Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação, Elvira Fortunato estreia-se em funções governativas, sucedendo a Manuel Heitor à frente da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Engenheira de materiais formada no Técnico, é uma das cientistas portuguesas mais conhecidas no país e lá fora. Pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente, demonstrou que os materiais à base de óxidos metálicos podem ser usados como verdadeiros semicondutores.

A seguir, também com o marido, o cientista Rodrigo Martins demonstrou a possibilidade de fazer o primeiro transístor de papel e iniciou um novo campo na área de eletrónica de papel.

Em outubro de 2021 deu uma entrevista ao JE Universidades, publicação do Jornal Económico na área do ensino superior, na qual falou da necessidade de haver mais dinheiro para a ciência, da oportunidade única do Plano de Recuperação e Resiliência, da importância dos laboratórios colaborativos e das parcerias Universidade-Empresa, chave para o desenvolvimento da investigação e da ciência e a criação de riqueza no país.

Sobre os laboratórios colaborativos, criados por Manuel Heitor, disse-nos: “São um caminho, não o único, mas um dos caminhos que pensamos poder vir. Dinamizar e a preencher um vazio que existe: a efetiva ligação da academia ao que a indústria de futuro pretende e ser uma porta aberta para a prosperidade. Infelizmente, ainda observamos um desfasamento e uma separação grandes entre a academia e a indústria, o que torna necessária a existência de mecanismos “top down” (de cima para baixo), nomeadamente ao nível das políticas púbicas. Os laboratórios colaborativos foram, de facto, uma excelente iniciativa para aproximar estes dois mundos e fazê-los trabalhar e partilhar em conjunto uma visão comum de prosperidade para o país que impacte em todos nós”.

Elvira Fortunato integrou em 2022, o grupo de 27 mulheres inspiradoras da Europa, eleitas pela atual Presidência Francesa da União Europeia.

É membro eleito da Academia de Engenharia, Academia Europeia das Ciências, Academia das Ciências de Lisboa e Academia Europaea. Integra o Conselho de Curadores da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento desde 2014.

Entre 2015 e 2020, integrou o grupo de sete investigadores do Mecanismo de Aconselhamento Científico da Comissão Europeia para apoiar as decisões da Comissão Europeia com base na evidência científica. Desde 2010 que integra a Chancelaria das Ordens Honoríficas de Portugal, a funcionar junto da Presidência da República.

Coordenou vários projetos nacionais e internacionais sendo de realçar a sua atividade pioneira na Universidade NOVA de Lisboa na área da igualdade de oportunidades através do projeto SPEAR, uma plataforma europeia de apoio e implementação de planos para a igualdade de género em instituições do ensino superior.

 

 

Relacionadas

Novo Governo de Costa entra com o pé esquerdo na relação com Belém ao irritar Marcelo

O Presidente não gostou de ficar a saber da composição do novo executivo pela comunicação social.

Oficial. Marcelo aprova novo Governo de António Costa

Pedro Adão e Silva é surpresa no novo Governo de António Costa. Conheça a lista do XXIII Governo constitucional que tomará posse a 30 de março.

Elvira Fortunato: “Propomos um Simplex para a ciência e para o país”

Para a vice-reitora da Nova, o segredo das suas invenções é apenas trabalho, muito trabalho aliado a uma grande paixão por aquilo que faz. A seis mãos desenhou uma proposta que está nas mãos do ministro Manuel Heitor, com soluções para simplificação da contratação pública. O PRR é não só uma oportunidade para a ciência em Portugal, mas também para que se simplifique a burocracia, considera.
Recomendadas

Português João Redondo preside a Aliança das Instituições de Ensino Superior Não Estatais na Europa

A EUPHE representa cerca de 700 instituições universitárias e politécnicas particulares e cooperativas, nas quais estudam 1,5 milhões de estudantes em países como a França, Alemanha, Espanha, Áustria, Irlanda, Polónia, Eslovénia e Portugal.

A emocionante viagem de Nuno Bicho no rasto do Homo Sapiens

O investigador português, vice-reitor da Universidade do Algarve, está de regresso a Moçambique. Nesta descoberta pelos vales do Save e do Limpopo faz-se acompanhar por uma equipa multidisciplinar para comprovar, através da arqueologia, o modelo genético de que as populações humanas da África Austral foram a génese da migração da nossa espécie.

Politécnico de Viana do Castelo cria centro de investigação de 6,5 milhões para economia azul

Projeto para a construção do edifício aguarda financiamento do PT2030. Objetivo é que seja construído no próximo ano e entre em funcionamento em 2024.
Comentários