Conflito na Ucrânia pode aumentar preços do cereais no longo prazo em 7%, diz estudo

Com as as exportações ucranianas significativamente reduzidas, o milho ficará 4,6% mais caro e o trigo 7,2% mais caro

Um estudo citado pela “France 24” concluiu que a invasão da Ucrânia pela Rússia pode fazer com que os preços de cereais a longo prazo subam 7%.

O bloqueio da Rússia aos portos do Mar Negro e as sanções a Moscovo causaram aumentos de preços de curto prazo e desencadearam temores de uma crise aguda de fome. A Rússia e a Ucrânia, juntas, exportam cerca de 28% da oferta mundial de trigo.

Especialistas nos Estados Unidos e no Uruguai estudaram o provável impacto do conflito nos preços do trigo e do milho nos próximos 12 meses, analisando vários cenários.

Um dos cenários aponta que se as exportações russas de cereais fossem reduzidas pela metade e as exportações ucranianas significativamente reduzidas, o milho seria 4,6% mais caro e o trigo 7,2% mais caro – mesmo supondo que outros exportadores pudessem intervir e preencher o déficit.

O estudo também descobriu que outros grandes produtores precisariam expandir significativamente as suas áreas de cultivo de cereais. Se todas as exportações de cereais da Ucrânia cessassem, a Austrália precisaria expandir a área de trigo em 1%, a China em 1,5%, a União Europeia em 1,9% e a Índia em 1,2%.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já tinha alertado em julho que a invasão da Ucrânia pela Rússia combinou com os persistentes impactos comerciais do Covid-19 no sentido de criar uma “crise global de fome sem precedentes”.

Os dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação mostram que os preços dos alimentos estão atualmente mais de 10% mais elevados do que eram há um ano.

Embora Moscovo e Kyiv tenham chegado a um acordo em julho para retomar algumas exportações, mas existe o receio de que o conflito possa levar a anos de aumento dos preços dos alimentos.

Recomendadas

Ucrânia: Duas bases aéreas russas atacadas por ‘drones’ ucranianos

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que duas bases aéreas situadas no centro do país foram hoje atacadas por ‘drones’ (aeronaves não-tripuladas) ucranianos, fazendo três mortos.

Moldova sofre ‘apagão’ após ataques russos na Ucrânia

O país já havia registado perturbações no fornecimento elétrico a 15 de novembro, quando a Rússia levou a cabo o maior ataque à rede ucraniana desde o início da ofensiva, em fevereiro.

Ucrânia: Portugal atribuiu mais de 55.000 proteções temporárias a pessoas que fugiram da guerra

Segundo a última atualização feita pelo SEF, desde o início da guerra, a 24 de fevereiro, Portugal concedeu 55.560 proteções temporárias a cidadãos ucranianos e a estrangeiros que residiam na Ucrânia, 32.569 dos quais a mulheres e 22.991 a homens.
Comentários