Debate entre Cristas a Rio abre porta para acordo pós-eleições

É muito mais o que os une do que os separa. Líderes do PSD e CDS-PP concordaram em todos os temas debatidos na SIC, exceto na regionalização.

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Rodrigo Antunes/Lusa

O frente-a-frente entre o presidente do PSD, Rio Rio, e a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, desta quinta-feira na SIC, ficou marcado pela concordância. Apesar de variarem na forma como querem fazer avançar as propostas, ambos assumem que há uma grande proximidade entre as linhas programáticas de parte a parte e Rio estendeu o tapete a Cristas para um acordo pós-eleições.

“A situação normal é os partidos irem a eleições separados”, afirmou Rio, acrescentando que desta forma conseguem manter a sua identidade e ver quanto valem sozinhos. Mas depois das eleições, a história pode ser outra. “Se em conjunto tivermos maioria, tomaremos a decisão que sempre tomamos ao longo da história”, sentenciou o líder social-democrata.

Já Cristas admitiu que “o CDS-PP tem um passado em conjunto com o PSD” e confessou que foi com “orgulho” que fez parte do Governo de Pedro Passos Coelho. Ainda assim, optou por deixar a possibilidade de um acordo pós-eleições no ar e apontar espingardas ao PS. “Não faremos qualquer acordo estável com o PS, nem lhe daremos qualquer tipo de apoio”, afirmou. E seguiu-se uma alfinetada à liderança de Rio: “O CDS-PP é a única força política que diz isso de forma cristalina”.

A intenção de baixar impostos é um dos aspetos onde os dois partidos mais se aproximam. Ambos concordam que nesta legislatura a carga fiscal aumentou para níveis históricos e foi desperdiçada “a melhor conjuntura económica de sempre” para se ter ido mais longe na devolução de rendimentos e na diminuição do défice.

Rio assumiu que o programa eleitoral do CDS-PP é “mais ambicioso” do que o do PSD no que toca à redução de impostos e que o programa do PSD parte de um quadro macroeconómico mais “prudente”. Num debate marcado pelas críticas em uníssono ao PS, a regionalização veio desequilibrar os pratos da balança. Rio quer avançar desde que as competências estejam devidamente atribuídas e não aumente a despesa pública. Já Cristas, para quem regionalização “quer dizer mais despesa”, dá um redondo não à medida.

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