Democratizar os preços da domótica será o próximo passo da tecnologia

Responsável de plataforma imobiliária tecnológica defende que tornar a casa mais inteligente ainda só é acessível a uma pequena parte da população. Promotora acredita que este passo valorizará a habitação.

“Equipar uma casa com tecnologias de voz, sistemas de gestão inteligentes (domótica) e equipamentos de última geração continua a ser muito dispendioso e apenas acessível a uma parte pequena da população. No entanto, acreditamos que nos próximos anos o acesso a estas tecnologias será democratizado e os preços passarão a ser mais acessíveis”, a ideia é defendida por Duarte Ferreira dos Santos, Vice-presidente de investimentos na região de Lisboa, da plataforma tecnológica de compra e venda de imóveis, Casavo, em declarações ao Jornal Económico (JE).

A introdução da domótica enquanto meio tecnológico veio de resto trazer também uma nova dinâmica ao sector da construção que de acordo com o CEO da Vanguard Properties, José Cardoso Botelho, “pouco evoluiu nas últimas décadas (ou mais)”, mas que com a chegada da tecnologia pode agora evoluir. “Um exemplo poderá ser o da produção própria de energia com energia solar, em autoconsumo ou em comunidades energéticas”, afirma ao JE.

Com a chegada da pandemia, o segmento dos escritórios tem sido um dos mais impactados ao nível da tecnologia. “Apesar das alterações e das incertezas durante os últimos dois anos, a verdade é que várias entidades consideram que as áreas disponíveis nos escritórios vão aumentar, com estimativas a avançarem aumentos na ordem dos 10%”, salienta ao JE, José Gavino, Diretor geral da gestora de fundos de investimento, Corum Portugal.

Ao colocar o mundo em confinamento, a pandemia permitiu ao consumidor alterar tudo aquilo que deseja para a sua habitação que acabou por transformar-se também no seu local de trabalho. “A procura por habitações maiores, renovadas e com espaços exteriores tornou-se uma tendência para colmatar as necessidades das novas rotinas. Além disso, as famílias tornaram-se também mais atentas aos consumos energéticos, motivadas pelas necessidades de conforto e pelo aumento do custo da eletricidade, e procuram agora casas mais sustentáveis e eficientes do ponto de vista energético”, realça Duarte Ferreira dos Santos.

Critérios que acabaram de forma consequente por ir ao encontro de soluções avançadas do ponto de vista tecnológico. No caso da Vanguard Properties, José Cardoso Botelho, destaca que os imóveis já contemplam tecnologia de ponta em termos de domótica, comunicações e térmica. “Paralelamente estamos a evoluir ao nível da tecnologia e industrialização dos processos de construção visando construir casas mais eficientes e mais sustentáveis (com baixa pegada em termos de emissões de C02), com o recurso a materiais com pegada de carbono reduzida ou até negativa (por exemplo a madeira) e de equipamentos de rendimento elevado, como sejam as bombas de calor, para produção de calor (inverno) e frio (ar condicionado) no verão, bem como as tecnologias associadas à iluminação inteligente”, explica o CEO.

No entanto, e apesar dos vários avanços que têm sido feitos no sector imobiliário, nomeadamente ao nível da digitalização, o responsável da Casavo considera que esta ainda é uma indústria que se caracteriza por ser tradicional, offline e muito dependente de processos burocráticos e físicos. Contudo, acredita que com “a entrada de novos players, com soluções tecnológicas inovadoras poderá inclusive tornar o setor mais credível, transparente e facilitar o acesso à habitação”.

Por sua vez, José Cardoso Botelho sublinha que a introdução da tecnologia no segmento da habitação trouxe vários aspetos positivos, como a possibilidade de tornar as habitações mais eficientes, mais confortáveis e, simultaneamente, com maior potencial de valorização futura. “O único impacto negativo, numa perspetiva redutora e de curto-prazo, que não é a nossa, será o custo mais elevado na fase inicial. Ou seja, o valor do investimento é maior ab-initio, mas é rentabilizado a prazo, para além de todas as demais vantagens em termos ambientais e de conforto”, refere.

Mas estarão os consumidores e construtores preparados para as transformações tecnológicas nas futuras construções de habitação?

Apesar desta não ser a sua área de atuação, José Gavino, considera que a transformação tecnológica vai para além dos gadgets. “Vemos cada vez maia uma preocupação da construção da requalificação como ótica de responsabilidade social e ambiental. A inovação tecnológica não é apenas eletrónica mas também de métodos de recuperação de calor, de aquecimento de águas, a par com outros fatores ambientais e sociais”, explica o diretor da Corum.

Por seu turno, José Cardoso Botelho não tem dúvidas de que as próximas transformações tecnológicas vão acontecer em dois métodos: construtivo e material. “No construtivo iremos assistir a uma crescente industrialização dos processos, visando uma construção modelar, mais rápida, com maior controlo de qualidade e ao mesmo tempo com maior facilidade de angariar mão-de-obra profissional”, enquanto no lado material “a madeira irá ter de novo um papel fundamental, nomeadamente a tecnologia de wood-frame (WF) e cross laminated timber (CLT), permitindo a construção de grandes edifícios, de forma totalmente modelar, com arquitetura custom-made e ao mesmo tempo altamente eficientes e sustentáveis”.

Outros temas que estarão futuramente ligados à tecnologia na opinião do CEO da Vanguard Properties dizem respeito à gestão da água e da produção e processamento de resíduos, mas também o recurso à energia solar descentralizada e o advento das comunidades energéticas. “Relativamente à energia solar, o recurso à arquitetura bioclimática na conceção de edifícios merecerá uma cada vez maior atenção e será também uma prática ainda mais presente”, salienta.

A componente tecnológica de um imóvel é para Duarte Ferreira dos Santos, da plataforma Casavo, outro dos pontos a que os consumidores portugueses começam também a dar importância. “Estão mais despertos para funcionalidades e características de uma casa, como sistemas de domótica com assistentes virtuais, lâmpadas e torneiras inteligentes, eletrodomésticos controlados por voz e até sistemas de segurança controlados remotamente”, refere, dando conta dos dados de 2021 da seguradora Liberty Mutual, de que 53% dos portugueses defendem que habitações com smart devices são o futuro e um terço confirma ter mais dispositivos eletrónicos em casa do que no período pré-pandemia.

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