Desaire nas bolsas. PSI arrastado pela queda de mais de 9% da Altri e ainda pelos tombos do BCP, Galp e Navigator

Os receios com a inflação elevada e a possibilidade de recessão continuam a castigar os mercados de ações. Hoje os tombos foram relevantes e transversais a todas a praças. Em Lisboa a Altri caiu mais de 9%,a Galp quase 7%, a Navigator quase 6% e o BCP mais de 5%. O euro está cada vez mais perto da paridade com o dólar.

O PSI tombou hoje 2,89% para 5.879,42 pontos e esteve entre as bolsas da Europa que mais caíram hoje. A Europa foi liderada pela queda dos índices da Grécia que caíram mais de 3%.

Os receios de uma recessão foram responsáveis pelo pessimismo no mercado de ações. Por cá o tombo de 9,64% para 5,81 euros da Altri não passou despercebido. Destacou-se ainda pela negativa a Galp que perdeu 6,81% para 10,19 euros; a Navigator que recuou 5,57% para 3,63 euros e o BCP que desceu 5,10% para 0,1488 euros.

Depois a Semapa caiu 3,21% para 13,26 euros; a Corticeira Amorim recuou 3,08% para 10,08 euros; a Mota-Engil perdeu 2,76% para 1,196 euros (no dia em que foi anunciado que a Emerge, empresa de promoção e desenvolvimento imobiliário do Grupo Mota-Engil, quer colocar os seus ativos no mercado nos próximos cinco anos, num investimento que ultrapassa os 400 milhões de euros); a Sonae deslizou 2,71% para 1,1140 euros; a NOS fechou a cair 2,37% para 3,70 euros; os CTT perderam 1,95% para 3,02 euros; a REN caiu 1,72% para 2,850 euros e a GreenVolt fechou a descer 1,66% para 7,69 euros. Isto num panorama em que não há um único título do PSI no verde.

Na Europa o cenário não foi mais animador. O EuroStoxx 50 caiu 2,10% para 3.359,8 pontos e o Stoxx 600 fechou a perder 2,14%.

Em Londres o FTSE 100 recuou 2,86% para 7.025,47 pontos; o francês CAC 40 caiu 2,68% para 5.794,96 pontos; o DAX tombou 2,91% para 12.401,2 pontos; o FTSE MIB fechou a descer 2,99% para 20.705 pontos e o IBEX 35 deslizou 2,48% para 7.959,4 pontos.

Nas empresas destaque para a Morgan Stanley que cortou o preço-alvo do banco Credit Suisse de 100 dólares para 95 dólares por ação. Outra notícia em destaque é o facto de a francesa EDF poder ter de cortar a produção nuclear no Verão.

O banco italiano Unicredit está a equacionar vender a subsidiária russa de uma forma que permita ao banco voltar a recomprá-la se a situação geopolítica estabilizar, segundo a Bloomberg.

O analista do Millennium BCP Investment Banking, Ramiro Loureiro, diz que os receios de recessão arrastam os mercados, ao mesmo tempo que destaca que o cross euro/dólar está em mínimos, isto é, próximo da paridade.

O euro cai 1,70% para 1,0245 dólares.

“Os mercados europeus encerraram a sessão em território negativo, com os principais índices a caírem mais de 2,5%, arrastados por fracos dados económicos registados na zona euro e receios de recessão, apesar dos bons dados vindos da China”, refere o analista do BCP.

“O euro/dólar atingiu o valor mais baixo nas últimas 2 décadas, arrastando consigo os preços das matérias-primas, com o petróleo a atingir os 101 dólares/barril e o preço do cobre a atingir mínimos de 17 meses, sob receios de redução na procura”, acrescenta o analista.

“Neste sentido, o setor energético foi o que mais desvalorizou no plano europeu, seguido do de recursos naturais. O da banca também contraiu significativamente, com a descida das yields derivada de uma maior procura por ativos de refúgio por parte de investidores”, segundo a análise da MTrader.

“Nos EUA, os principais índices também desvalorizam mais de 2% apesar dos bons dados macro no país, que revelaram uma surpresa nas encomendas às fábricas em maio, nos 1,6% (estimava-se 0,5%) e nas encomendas de bens duradouros, nos 0,8% (estimava-se 0,7%). Os investidores aguardam assim as minutas da Fed, que serão divulgadas amanhã e que poderão dar um indício relativamente à dimensão das próximas subidas de taxas de juro”, conclui a análise da MTrader.

Já os analistas da XTB destacam a “força do dólar americano que está a provocar uma queda considerável nos preços do ouro”.

Durante a sessão de hoje, o preço do ouro quebrou a marca dos de 1,780 dólares e atingiu mínimos de Dezembro de 2021. Neste momento, o ouro está a desvalorizar mais de 2%.

“A deterioração das condições financeiras nas principais economias suscitaram receios de uma recessão global. No entanto, o ouro tem tido um desempenho relativamente bom durante as crises anteriores, a questão permanece se a situação poderá repetir-se também desta vez”, conclui a XTB.

Os receios com a inflação elevada e a possibilidade de recessão continuam a limitar qualquer movimento de recuperação nos mercados, numa altura em que a crise energética na Europa está agora no centro das preocupações.

“A Alemanha já está a negociar o resgate da Uniper, que pode atingir 9 mil milhões de euros, preparando-se para socorrer outras empresas do setor mais dependentes do gás russo”, segundo a BA&N Unit Research.

Na Europa foi hoje notícia que a Noruega pode ter de reduzir as exportações de gás até 60% este fim de semana devido a uma greve de um sindicato da indústria petrolífera, numa altura de tensão no mercado energético, alertou a organização patronal do setor. Os trabalhadores estão a exigir aumentos salariais devido ao aumento da inflação.

Na macroeconomia a inflação na OCDE acelerou para 9,6% em maio, um máximo em 34 anos.

O petróleo Brent cai 9,07% para 103,20 dólares o barril.

No mercado de obrigações europeu o cenário é hoje mais estável, depois de ontem as yields terem disparado em reação às declarações do presidente do Bundesbank, que colocou um grande ponto de interrogação no plano do BCE para contrariar a fragmentação do mercado de dívida.

A dívida alemã a 10 anos cai 15,48 pontos base para 1,18%; a Itália vê os juros recuarem 9,04 pontos base para 3,14%; Espanha também vê os juros descerem 12,13 pontos base para 2,28% e Portugal tem os juros em queda de 11,55 pontos base para 2,28%.

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Contrariamente ao PSI, as principais bolsas europeias terminaram a sessão em terreno negativo. O IBEX 35 (Espanha) desceu 2,08%, o DAX (Alemanha) decresceu 0,32%, o FTSE 100 (Reino Unido) desvalorizou 0,497%, e o CAC 40 (França) recuou 0,87%.
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