Diretor nacional da PJ confiante na extradição de João Rendeiro da África da Sul

Luís Neves destacou cooperação internacional com altos responsáveis policiais sul-africanos e angolanos e disse que Portugal realça a “grande capacidade económica” e “grande capacidade de fuga” do ex-banqueiro como argumento para que fique em prisão preventiva até haver decisão quanto à extradição. Procuradoria-Geral da República emitiu um documento de sustentação.

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, confirmou a detenção de João Rendeiro na manhã deste sábado e garantiu estar confiante na extradição do fundador do Banco Privado Português (BPP), que se encontrava na África do Sul desde 18 de setembro e será apresentado a um juiz sul-africano no espaço de 48 horas.

Numa conferência de imprensa realizada na sede nacional da PJ, Luís Neves destacou a cooperação internacional com altos responsáveis policiais da África do Sul e de Angola e realçou que, “ao contrário de algumas notícias que pretendiam desmotivar os investigadores” – nomeadamente devido à alegada dupla nacionalidade do português -, ficou desde cedo claro que a extradição é possível. Nesse sentido, a Procuradoria-Geral da República emitiu um documento de sustentação.

O primeiro passo será reforçar junto das autoridades judiciais sul-africanas que, “face ao perigo de fuga” de João Rendeiro “e ao que é a sua personalidade, o que já disse e o que já fez”, será necessário manter o antigo banqueiro em prisão preventiva até que venha a ser extraditado para Portugal. Uma decisão que poderá demorar vários meses, dependendo também dos argumentos que forem apresentados pela defesa do fundador do BPP.

O diretor nacional da PJ apontou como exemplo da “grande capacidade económica” de Rendeiro, que lhe confere “grande mobilidade e capacidade de fuga”, o facto de a entrevista que este concedeu à CNN Portugal ter envolvido o recurso a meios de encriptação que “custam uma exorbitância” e impediram a sua localização, demonstrando que “jamais e em tempo algum pretendia apresentar-se às autoridades judiciais”.

“Se e quando for extraditado é naturalmente para cumprimento de pena, pois há condenações que já transitaram em julgado e implicam pena efetiva”, acrescentou Luís Neves, destacando que “esta fuga foi preparada ao longo de vários meses”.

Rendeiro foi condenado a três anos e seis meses de prisão por burla qualificada, cinco anos e oito meses por falsidade informática e dez anos por fraude fiscal, abuso de confiança e branqueamento de capitais. Com a segunda dessas condenações já transitada em julgado, quando chegar a Portugal terá de cumprir pena efetiva.

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Ex-banqueiro terá sido detido na cidade de Durban, embora o diretor nacional da Polícia Judiciária não tenha revelado o local. Luís Neves garantiu, ainda assim, que o fundador do Banco Privado Português “tinha muitos cuidados e não circulava livremente”.
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