De Espanha aos EUA, países estão a encurtar período de isolamento. E Portugal?

Espanha foi o último país a confirmar a redução do período de isolamento para quem fique infetado com Covid-19 por temer, à semelhança do que acontece nos EUA, que o aumento do número de pessoas infetadas provoque uma escassez de trabalhadores e, consequentemente, condicione o funcionamento da economia.

Espanha confirmou, esta quarta-feira, que vai encurtar o período de isolamento obrigatório para pessoas com teste positivo à Covid-19 de dez para sete dias, disse o Ministério da Saúde — uma decisão semelhante àquela tomada nos Estados Unidos na sequência de preocupações que a nova vaga de casos poderia resultar numa falta de trabalhadores e consequentemente prejudicar a economia. Naquele país, o período de isolamento foi encurtado para cinco dias.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) realça que esta orientação está em sintonia com indicações crescentes de que as pessoas infetadas com Covid-19 são mais contagiosas dois dias antes e três dias depois de desenvolverem sintomas.

No entanto, Espanha não é a única a avançar neste sentido. Vários outros países europeus também estão a considerar reduzir o período de auto-isolamento para casos positivos ou contactos próximos, ou ambos, incluindo Portugal.

Na região autónoma da Madeira, a Direção Regional de Saúde (DRS), que possui independência para a tomada de decisões respeitantes à pandemia de Covid-19, decidiu reduzir o período de isolamento para cinco dias para os casos positivos sintomáticos.

“O período mínimo de isolamento é de cinco dias, se o indivíduo não apresentar sintomas ou se os sintomas forem resolvidos durante esse período. Nos cinco dias seguintes, é necessário o uso de máscara (com capacidade de filtração mínima de uma máscara cirúrgica, bem ajustada). Se o indivíduo apresentar sintomas, o isolamento deve ser mantido até ao desaparecimento dos sintomas”, explica a DRS.

Em Portugal continental a medida ainda não foi avançada, mas começa a ganhar apoiantes. É o caso do epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que defendeu uma mudança de estratégia para combater a Covid-19 que passa pela administração de doses de reforço, uma campanha de esclarecimento e alterações às políticas de rastreio.

Quanto ao rastreio, o epidemiologista sublinhou que é preciso ser “muito mais criteriosos nas cadeias de transmissão que queremos rastrear” e considerou também ser necessário “reduzir o número de dias de isolamento”.

Ainda assim, o ministro dos Negócios Estrangeiros remeteu hoje a decisão sobre uma eventual redução do período de isolamento de infetados com o vírus da Covid-19 para as autoridades de saúde, vincando que é uma decisão técnica e não política, remetendo para a DGS a eventual aprovação da medida.

“No Conselho de Ministros tratamos de questões de natureza política e legislativa e não tomamos decisões que devem ser tomadas em sede técnica como aquelas que se referem, por exemplo, aos períodos de isolamento determinados ou aconselhados”, defendeu Augusto Santos Silva, no final da reunião do Conselho de Ministros, que se realizou no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

Esta quarta-feira, Portugal atingiu um recorde de novos casos por Covid-19, foram mais 26.867 casos nas últimas 24 horas para mais de um milhão infetados desde o início da pandemia. Quanto ao número de mortes, contabilizaram-se mais 12 óbitos.

Este aumento de novos casos surge depois do alerta da ministra da Saúde, Marta Temido, que referiu esta terça-feira que o país poderá atingir os 37 mil casos na primeira semana de janeiro. De ontem para hoje, registou-se um aumento de 66% no número de infeções diárias.

Quanto aos internamentos, estes vão evoluindo de forma considerável, mantendo-se, ainda longe, do máximo registado. Estão atualmente em enfermaria 971 doentes, mais 35 do que ontem, e 151 utentes nas unidades de cuidados intensivos (UCI), ou seja, menos uma.

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