“É inevitável o teletrabalho ganhar relevo no modelo de trabalho das organizações”, diz responsável da Maleo

Em entrevista ao Jornal Económico, Mafalda Samwell Diniz, aborda as transformações que os escritórios vão sofrer para uma adaptação do modelo híbrido e analisa os objetivos da empresa para este ano.

Dois anos após a pandemia, os escritórios voltam a ser um dos segmentos mais apelativos para o sector, segundo os estudos das consultoras imobiliárias.

Apostada em captar cada vez mais clientes nesta vertente, a Maleo, empresa especializada no aluguer de espaços de escritórios tem como objetivo duplicar o número de m2 em novos espaços até 2026.

Em entrevista ao Jornal Económico (JE), Mafalda Samwell Diniz, Head of Marketing & Communication da Maleo, aborda as transformações que os escritórios vão sofrer para uma adaptação do modelo híbrido e analisa os objetivos da empresa para este ano.

Depois de dois anos de pandemia quais são os principais desafios e dinâmicas que os escritórios vão enfrentar neste “regresso à normalidade”?

Verificamos que as empresas procuram cada vez mais suprir as suas necessidades espaciais com o desenvolvimento de soluções flexíveis e adaptadas à sua visão e a um modelo de trabalho que não voltará a ser similar ao que se verificava antes de 2020.

Desde logo, estamos perante um conceito agora bastante em voga, o work life balance, que resulta de tudo o que nos sobressaltou nos últimos dois anos, mas que é também consequência de uma crescente mudança na mentalidade das pessoas. Ou seja, há que encontrar alternativas atraentes para os colaboradores não se cingirem ao teletrabalho, e com isso aproveitarem as valências que os seus postos físicos de trabalho oferecem. E tal reflete-se nos espaços, os quais são cada vez mais colaborativos, mais humanos, capazes de criar proximidade entre colegas, como uma forte aposta em zonas comuns, onde se troquem opiniões, onde se vivenciem experiências que criem um maior espírito de grupo.

Mas, atenção, não responsabilizemos apenas a pandemia. Também a transformação digital e as exigências de maior sustentabilidade organizacional têm uma palavra a dizer quanto à nova perceção daquilo que deve ser um escritório. E, na Maleo, estamos cientes da nossa posição, através de conceitos que se revelam como os mais adequados para o setor, bem como pela capacidade de antecipação a uma realidade que já se encontra entre nós.

Isto, porque verificamos que as empresas procuram manter integralmente as suas equipas, embora nem sempre as vão ter em simultâneo, antes com uma estratégia de ocupação que visa obter uma maior rentabilização do seu escritório. As organizações precisam que os espaços se adaptem às circunstâncias e respondam aos apelos, mesmo os mais urgentes.

Ao focar-se estritamente no seu negócio, deixam os aspetos diários, tantas vezes passíveis de criar entropias – como pequenos arranjos de telefone, internet, copa, casas de banho, gestão de entradas e saídas das instalações, garagem, entre outros – a cargo de equipas altamente especializadas.

Algo pelo qual a Maleo é cada vez mais reconhecida.

Que transformações vão ser efetuadas neste segmento de forma a adaptarem-se ao modelo de teletrabalho e a um sistema presencial que face à pandemia sofreu alterações?

Não podemos deixar de evidenciar que o teletrabalho teve um enorme impacto em toda a atividade económica dos últimos dois anos, sem exceções. Claro que se sentiu uma diminuição no número de pessoas que continuaram a deslocar-se para os seus locais de trabalho. Mas, curiosamente, no nosso caso, verificámos que os clientes continuaram connosco, aliás, com um aumento na procura dos nossos serviços.

Numa visão macro, sentimos uma grande expetativa e entusiasmo em recuperar o tempo perdido; mesmo com a situação que se verifica atualmente na Ucrânia, e as consequências geopolíticas e económicas que começam a ter repercussões muito negativas.

Não me canso de o dizer, ao contrário do propalado por alguns anúncios manifestamente exagerados, o espaço físico não desapareceu. Continua vivo e de boa saúde. Agora, sabemos que é inevitável o teletrabalho ganhar relevo no modelo de trabalho das organizações. Naturalmente, o mesmo terá é que se adequar, de acordo com o negócio de cada empresa e a forma como a mesma adota premissas mais híbridas ao nível dos seus recursos.

Dou-lhe os exemplos de empresas de TI e Alta Tecnologia, que se encontram na linha da frente dessa nova forma de encarar a realidade dos escritórios. E o reconhecimento de Lisboa como a cidade ideal para a receção e acompanhamento de grandes marcas globais que procuram os melhores locais para se instalar é, para nós, um orgulho. E sabemos que a Maleo tem um papel relevante nesta nova realidade.

Lisboa e Porto ainda têm espaço para novos espaços de escritórios?

Sem dúvida. E, no caso concreto de Lisboa, queremos responder às necessidades de um mercado de serviced offices que tem quase cinco milhões de m2 de escritórios, mas em que este modelo não representa mais de 2%. Não é por acaso que as estimativas mais conservadoras apontam para um crescimento do parque de escritórios em Lisboa de 20% até 2026, enquanto no caso específico do mercado de serviced offices as previsões indicam um aumento de 5% no mesmo período.

Dados muito recentes, referentes ao primeiro trimestre de 2022, mostram uma tendência de crescimento no mercado de escritórios em Lisboa, que começa a atingir níveis pré-pandémicos, com um volume de absorção superior a 64 mil m2. Já no Porto, o volume de absorção aproximou-se dos 5.900 m2, o que duplica o resultado obtido no período homólogo de 2021.

Numa leitura mais cirúrgica, em Lisboa, a mudança de instalações foi responsável por 64% dos negócios, enquanto 16% dos casos refere-se ao estabelecimento de novas empresas na capital.

Mais concretamente na Maleo, sentimos exatamente essa pulsão positiva, pois temos atualmente uma ocupação que ronda os 90%. E, claramente, a natureza da procura está a evoluir num novo sentido, através de grandes ocupantes, com estruturas corporate que procuram mitigar os riscos de ocupação e veem no modelo de escritório com serviços completos a solução a médio e longo prazo.

Ou seja, sentimos grande potencial de expansão. É uma inevitabilidade, mais ainda face à mudança de paradigma dos espaços de escritório, que exigirá uma maior personalização e atenção às necessidades, caso a caso. Por ser esse o grande diferenciador da Maleo, vamos estar na linha da frente dessa expansão de mercado.

No caso da MALEO, além da abertura do Centro em Sete Rios que outros objetivos estão delineados para 2022?

Neste momento, o grande objetivo é potenciar ao máximo os nossos Centros. Com destaque para o espaço de Sete Rios. O qual, aliás, encontra-se desde já 100% ocupado, em grande parte pela multinacional farmacêutica Amgen. É um prazer verificarmos que a nossa oferta de soluções atrai empresas com esta dimensão e complexidade estrutural.

E este é um caso muito interessante. Depois da abertura do Centro de Competências da Amgen no Saldanha, verificou-se uma proximidade ainda mais evidente e as sinergias ainda mais impactantes. O resultado está agora à vista. A Amgen é paradigmática, de uma empresa que deixou um espaço que era estritamente seu e preferiu adotar uma dinâmica ancorada no conceito de serviced offices, onde todas as suas necessidades e exigências ficam a cargo, neste caso, da Maleo.

Para além da gestão dos nossos espaços e do crescimento orgânico que estamos a registar, é ainda nosso objetivo assumirmo-nos de uma vez por todas como um novo conceito de espaços de escritório. Não somos um cowork, mas também não somos um proprietário de espaços que os vende ou aluga a potenciais interessados. Somos muito mais do que isso. Temos a presunção de acreditar que seremos associados a um serviço hoteleiro premium, mas acessível, pois encontramo-nos ao dispor de grandes empresas, multinacionais com centenas de colaboradores e alavancadas numa organização mais complexa. Mas também de PMEs, com uma estrutura ainda em crescimento, mas cientes do papel de um centro de escritórios altamente profissional para o desenvolvimento do seu valor de negócio.

No que diz respeito à duplicação dos atuais 12 mil m2 para 24 mil m2, isso vai refletir na abertura de novos espaços da MALEO até 2026?

Na verdade, e com a abertura do Centro de Sete Rios, a Maleo tem já cerca de 15 mil m2 em espaços.

De resto, vamos concentrar as nossas atenções na consolidação dos seis centros que temos em Lisboa, para mais, com o de Sete Rios recentemente inaugurado. Mas temos também uma estratégia para os próximos anos, onde a prospeção do mercado e a capacidade de antecipar tendências é um dos segredos do negócio. Também asseguramos que a nossa evolução será sustentada, sem passos maiores que as pernas. Ou seja, qualquer novo centro, seja qual for a localização, resultará de uma análise exaustiva dos ganhos e desafios daí decorrentes.

Por fim, não nos esquecemos do período conjuntural que atualmente se vive. Nesse sentido, a Maleo assume-se como um desbloqueador, cujas soluções flexíveis e adaptadas a cada empresa vão ao encontro das preocupações de quem nos procura e que nos considera um parceiro estratégico para o seu negócio. Isto é, temos a perceção que as empresas procuram os nossos serviços e vão procurar ainda mais os nossos serviços, em face das tendências do mercado.

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