Economia americana cria 390 mil empregos em maio e taxa de desemprego mantém-se em 3,6%

Os dados mostram um mercado laboral historicamente rígido, em linha com a avaliação da Fed, o que tem implicações opostas: por um lado, o ritmo de contratações não abrandou significativamente, como se chegou a temer, mas a dificuldade em contratar significa salários mais altos, acrescentando à inflação elevada que se sente nos EUA.

A economia norte-americana criou 390 mil postos de emprego em maio, superando as expectativas do mercado, que se cifravam em 325 mil. Este é o valor mais baixo para a criação de emprego desde abril do ano passado, mas os analistas projetavam quedas mais acentuadas, dada a subida das taxas de juro em curso nos EUA.

A taxa de desemprego ficou nos 3,6%, um valor constante há três meses, historicamente baixo e em linha com os comentários da Reserva Federal nos últimos meses, que classificam o mercado laboral dos EUA como extremamente rígido. Ainda assim, o mercado projetava que a taxa de desemprego baixasse neste leitura para 3,5%.

O emprego nos EUA fica assim apenas 0,5% aquém, ou pouco mais de 820 mil postos, do registado antes da chegada da Covid-19, quando o desemprego teve o maior crescimento na história americana. Os salários horários avançaram 0,3% em cadeia, o que ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, de 0,4%, e traduzindo-se numa variação homóloga de 5,2%.

Os maiores ganhos registaram-se na área da hospitalidade e lazer, um dos sectores mais atingidos pela crise gerada pela Covid-19. 84 mil novos postos abriram neste ramo, com os serviços profissionais e empresariais a seguirem-se, acrescentando 75 mil trabalhos à maior economia do mundo. Os ganhos foram transversais a várias áreas, como os transportes e armazenamento (47 mil), construção (36 mil), sector público de educação (36 mil) e privado (33 mil).

Em sentido contrário, o retalho registou menos 61 mil postos de trabalho, embora o sector mantenha um nível de emprego superior ao registado em fevereiro de 2020.

Perante estes números expressivos e em linha com um mercado particularmente rígido, o banco ING projeta que venham aí mais subidas de 50 pontos base (p.b.) por parte da Fed, que tem no seu mandato, ao contrário do que acontece com o Banco Central Europeu (BCE), o mercado laboral como uma das prioridades a monitorizar.

Para o banco neerlandês, os dados são positivos na medida em que não se verifica, por enquanto, um abrandamento significativo na contratação, como chegou a ser temido; por outro lado, a falta de oferta de mão-de-obra significa salários mais elevados, o que arrisca agravar as dinâmicas de inflação que têm levado os preços a subir a ritmos não vistos em 40 anos.

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